Eu amo ser único reddit

Daqui encaro o que aconteceu sob o que eu achava ser a minha vontade e vejo que deixei de fazer muita coisa que eu queria, dos últimos abraços até tentar fazer com que o último adeus seja decente e não num caixão lacrado. ... Eu amo muito meu filho. Era só isso mesmo. 548. 47 comments. share. save. hide. report. 513. Posted by 4 days ago ... único amor puro e verdadeiro que eu conheço! Ser mãe de menino é se apaixonar todo dia pelo homem da sua vida Amo você mais do que posso amar qualquer outra pessoa no mundo ‍ Coração que bate fora do peito! Eu quero que você se sinta a pessoa mais feliz do mundo, o único capaz de ser pra mim um sonho em noite de insônia. Mas eu sempre soube que mesmo distante você estaria aqui pertinho. Você pode não conseguir segurar minha mão pra me livrar da queda, mas estará na minha memória me fazendo esquecer a dor. • Eu amo o seu sorriso, e seu jeito de falar, eu amo quando você me olha e dou risada sem pensar. • vem pra cá que eu vou te mostrar, que o nosso beijo, faz tudo melhorar • Eu até tento fugir, mas o mundo conspira E é) se eu gosto dela, e ela disse pra minha amiga que me acha bonito e fofo, mas aí vem o problema mesmo sabendo disso não tenho coragem de tentar começar algo além da amizade e também não sei como. Então eu queria algum conselho, mesmo eu sabendo que o único jeito é eu criar coragem e falar com ela.

Desabafando a minha adolescência

2020.10.13 23:22 TyllerZzZ Desabafando a minha adolescência

ola, acabei de entrar nesse reddit, gostaria de compartilhar algumas coisas com vcs.
Bom, eu tenho 17 anos e sou um pouco diferente dos demais adolescentes que pensam apenas em festas, bebibas e mulheres. Sou de poucos amigos, não converso com muita gente, meu whatsapp é super parado, não tenho tantas curtidas mas minha fotos do face ou do insta, na vdd eu não ligo muito pra esse tipo de coisa, adoro jogar e pra ser bem sincero essa é a coisa que eu mais tô fazendo no momento, minha rotina é basicamente, trabalhar e jogar, além das atividades online tbm. Nunca transei e sinceramente não me importo com isso, não me importo com oque as pessoas pensam sobre isso, mas já perdi meu BV (no início desse ano). Quando eu beijei outra boca pela primeira vez eu pensei que a situação iria mudar, eu finalmente iria ter mais amigos, mais garotas iriam querer me conhecer e eu ia mudar completamente, mas n foi bem assim. Enfim, eu realmente não ligo pra curtidas ou views nos status, mas minha mãe acha minha situação preocupante, eu n acho que estou depressivo, é apenas meu jeito, e eu NÃO VOU MUDAR MEU JEITO DE VIVER PRA AGRADAR OUTRAS PESSOAS, mas ao mesmo tempo eu penso em mudar completamente meu jeito, essa frase no meu ponto de vista é um pouco hipócrita, não sei dizer o motivo, mas na minha cabeça faz sentido, Quando eu digo pra outra pessoa que nunca consumi bebidas alcoólicas ou nunca transei, elas ficam em choque, como se fosse uma obrigação de todos fazer isso. Enfim, eu tô compartilhando isso pra saber se eu sou o único adolescente que vive dessa forma, e pedir alguns conselhos, não que eu esteja triste, eu amo a vida q eu tenho, mesmo sem nunca ter tido uma namorada ou nunca ter transado com ninguém, não sou daqueles que fica colocando frases moralistas ou indiretas para outras pessoas nos status, eu não diria que sou isolado, apenas não tenho tanta facilidade quanto outras pessoas de fazer amizades, eu não me acho feito, tenho uma boa alto estima,e sinto triste as vezes por ver outros adolescentes com suas namoradas ou com vários amigos rodeados, mas logo passa, sou meio introvertido. Tenho uma sensibilidade emocional, sou muito sensível, qualquer coisa eu choro pra krl kkkj (apenas uma curiosidade). É isso..
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2020.10.09 18:13 TapperTotoro Eu venci a depressão e é isso que tenho feito desde que me curei! - Parte 2/365

Uma espécie de diário aberto: Antes de quase me afogar na 'escuridão', escrevi um livro para o meu primeiro filho; e agora curado, comecei a escrever o segundo livro para o meu segundo Príncipe, dando continuidade à história inicial.
De notar que esse segundo texto é um tanto comprido (1,98 metros de altura do autor se justificam aqui).
Antes de escrever mais para essa série motivada pela minha vitória na luta contra a depressão, quero agradecer à todas as pessoas que partilharam comigo um pouco do seu tempo para ler e comentar, além de todos os "prémios" que a minha primeira publicação recebeu (e continua a receber) e todas as pessoas que também começaram a seguir-me lá no meu humilde canal de Youtube.
Olá (quem leu a primeira publicação dessa "série" entende esse 'olá').
Pois bem; há quase que exatamente 5 anos atrás, quando as coisas ainda não estavam tão más para a minha existência, decidi escrever um livro para o meu primeiro - e possível na altura, único - filho. É para mim a história mais bonita que já escrevi e o primeiro livro infantil também, e a ideia na data era imprimir todas as páginas em folhas A4 em duas duplicatas e fazer eu mesmo as capas para os livros à mão.
- Além de ter escrito o livro, porquê é que não publiquei com uma editora (ainda)?
Bem, além de querer que 100% dos direitos da obra fossem para o meu pequeno Príncipe e não querer que a mesma tenha nenhum vínculo com uma editora, é como já disse, queria fazer somente duas cópias de forma manual e oferecer a primeira (a que considero 'original') para o meu filho (na altura só tinha e queria ter um, mas surgiu o segundo e amo 'pacas' os dois), e a segunda ficaria guardada como cópia física de segurança. A história basicamente é sobre eu e ele, e a nossa imaginação fértil, mas acabei por quase eliminar o manuscrito (juntamente com todos os outros textos meus) quando cheguei ao ponto em que se não tomasse uma decisão, não estaria vivo hoje.
Foi uma questão de mudança de último segundo a existência desse manuscrito e há alguns dias atrás voltei a lê-lo e decidi que além de publicar a história de forma totalmente independente por e para eles (agora os meus Príncipes são dois, lembra?), farei as duas cópias de forma manual como era planeado no início e guardarei para quando ambos forem adultos receberem como prenda de maioridade. Também sou motivado a não fazê-lo agora ou antes da maioridade (os livros físicos e entregar para eles) pelo facto que a minha ex-esposa destruiria os livros se eu entregasse para ela guardá-los (lembra-se da relação afetiva que tive e quase me matou? Pois bem, eu fui casado por 7 anos com ela), visto que ambos os Príncipes são muito novos ainda.
Para colocar em perspetiva: O divórcio e os meses que se seguiram ao divórcio foram um autêntico inferno, com ela a fazer de tudo para me afastar dos Príncipes (mentindo inclusive para a justiça ao dizer que eu abandonei os Príncipes quando na verdade eu não tinha onde morar - e ficou provado isso - não tinha dinheiro tampouco meios de transporte para visitá-los - ou um telemóvel para ligar para eles - e estava há mais de 30 quilómetros da casa deles; com isso e por ter ficado provado que eu não abandonei os Príncipes ela criou outros processos jurídicos absurdos que se arrastam até hoje somente com intuito de tirar mais e mais do que eu tenho conseguido alcançar aos poucos depois de sair da rua ...).
Foi tudo tão difícil pois como já tinha dito, acabei a morar na rua sem nada pelo simples facto de eu não querer dividir os bens que obtivemos durante a duração do nosso casamento ou levar nenhum bem material no final da relação, deixando tudo com ela para os meus filhos, pois mais do que eu, os eles precisam de um lugar para viver e eu sempre me virei muito bem ou sou muito bom a recomeçar a vida do zero. Valeu a pena esse sacrifício? Sim, e muito!
Mas mesmo tendi isso sido um inferno, ainda existe a parte mais difícil e que muitos pais (divorciados ou não) se irão rever, possivelmente:
Desde fevereiro que só falo com os meus dois Príncipes por videochamada por causa de toda essa questão da pandemia (e outros pontos que prefiro não expor por eles, para preservar o futuro da imagem da mãe deles, ou não ser eu influência no moldar dessa imagem caso aconteça) e decidi que mesmo estando as coisas "mais amenas" aqui em Portugal (mas a piorar agora com o espreitar do inverno), só estaria com eles quando for encontrada a cura ou se provar efetiva a obtenção de imunidade à doença; por nada desse mundo quero colocá-los em risco por uma coisa que o meu sacrifício pode evitar, afinal de contas, eles são o que de mais importante tenho nesse mundo todo ...
Voltar a ler o livro que escrevi para, agora eles, (escreverei entre esse e o próximo ano um segundo livro para dar continuidade à história e incluir o meu segundo Príncipe) despertou algumas ideias que já tenho colocado em prática e a partir de amanhã, publicarei uma página do livro por dia (inserirei o link aqui!) como tenho feito com esses textos novos e outras formas de arte que crio. Como não quero ter mais do que duas cópias físicas de cada livro, não tenho a certeza se vendo os e-books e crio uma conta poupança para os Príncipes com o dinheiro da venda das cópias digitais ou se publico somente no site que estou a construir e uso a monetização por meio da publicidade embutida nas páginas para esse fim (esse é o modo mais apelativo para mim, porque assim mais gente tem acesso aos livros e contribuem mesmo que não tenham condições financeiras para comprar um exemplar).
Digam-me o que vocês acham sobre qual é a melhor opção :)
Eis um trecho do livro e a página de abertura de 'O rei e o grande minúsculo', o livro que escrevi para os meus dois filhos:
Eu sou o Narrador e esta é a história sobre um minúsculo rapaz que vive dentro do pequeno universo que existe no meu umbigo. Neste mundo, ninguém possui um nome, apenas características físicas únicas e marcantes.
O rapaz que conheci tem uma particularidade muito semelhante à uma que tenho. Ele é alto, tão alto, que por este motivo não existe qualquer outro rapaz da sua idade com a altura próxima à dele e é inclusive muito mais alto do que todos os adultos deste tal mundo. Se o tornarmos proporcional à altura das pessoas humanas, este rapaz terá três metros enquanto a altura média de todas as pessoas é de um metro e setenta centímetros.
Conheci-o num dia em que estava eu a descansar ao sol, deitado na relva com uma camisola sem mangas, enquanto brincava com o meu microscópio imaginário e despertou em mim a curiosidade de espreitar com aquilo para o meu umbigo. Para a minha total surpresa, a primeira coisa que vi foi um amontoado de cabelos crespos pretos cheios de caracóis que parecia estar preso a um poste azul acastanhado, só que, depois de poucos segundos o poste se mexeu e assustei-me, afinal, os postes não podem andar. Ou podem?
– Olá gigante! – disse uma voz que não conseguia perceber de onde vinha.
– Estou bem aqui. – continuou ela. Levantei-me da relva e olhei à minha volta. Por mais certeza que tivesse sobre ter ouvido aquela voz, tudo apontava para o facto de estar eu sozinho ali. Corri para o muro da minha humilde casa, trepei-o para espreitar às casas dos meus vizinhos casmurros e vi que ninguém se escondia do outro lado.
– Acho que estou a sonhar acordado, novamente. – disse para mim mesmo em voz alta.
– Não gigante, não estás a sonhar. A propósito, porque é que trepaste para cima dos muros se em pé és maior do que eles? – continuou e perguntou aquela voz misteriosa. Corri para dentro da minha casa, tranquei todas as portas e janelas, fui às pressas e assustado para o meu quarto, apaguei as luzes e escondi-me na segurança que existe por baixo dos meus grandes e quentes amontoados de lençóis de seda, mantas polares e cobertores de todas as cores.
Depois disso, não voltei a ouvir aquela voz naquele dia e acabei por adormecer. Sonhei com milhares de coisas maravilhosas, entre elas doces e chocolates pois sou um narrador um tanto guloso; sonhei com os infinitos momentos de diversão com os meus amigos, com o meu pequeno Príncipe e por fim, para não fugir à regra, sonhei que dormia também ...
Espero que quando os meus Príncipes lerem essa história que escrevi em especial para eles, sintam o que queria transmitir nessa altura em que pouco conseguem entender dos sentimentos humanos e para que encontrem nas minhas palavras tornadas ficção, a voz deles que muito me tem ajudado nessa luta e nova fase da minha vida. E que essa voz os ajude nas fases mais difíceis da vida, e relembrem também os momentos mais felizes.
Também espero que você que me lê novamente hoje, goste de tudo o que pretendo partilhar e se que se existir alguém importante para você, use-a como motivação para lutar contra todas as coisas que não fazem bem, e que esses livros que publicarei inspirem alguém a criar e mudar o mundo, mesmo que o mundo seja só para uma pessoa :)
Com muito amor;
Aladino.
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2020.08.23 04:42 Pedinhuh Me abrir com vocês e ter desabafado foi a melhor coisa que fiz esse ano

Bom, à um mês atrás eu fiz esse post:
https://www.reddit.com/desabafos/comments/hxfxuz/ser_rejeitado_%C3%A9_ruim_especialmente_quando_voc%C3%AA/
E desde então, bem...Eu não sei direito o como explicar isso mas foi como se eu tivesse acordado pra vida, calma não me entendam mal, eu explico:
Há um mes atrás eu me via num ciclo vicioso do qual eu não conseguia sair, em especial porque eu não tinha vontade de sair dele, por causa dos meus problemas pessoais, emocionais e minha experiência de vida que até então pode ser resumida à um fracasso.
Mas, ter sido rejeitado por aquele sonho de mulher, e ter me desabafado com vocês aqui me fez ter algo que já muito tempo eu não tinha: Vontade de mudar.
No outro dia, do nada, eu fiz o seguinte:
Tudo isso em um único dia!
Desde então eu:
Eu amo meus pais mais do que tudo, muito mais do qie eu mesmo, mas eu tenho que correr atrás dos meus sonhos também.
Eu também estabeleci uma nova meta: emagrecer pelo menos 20kg ate o fim do ano, acho que se eu manter esse ritmo eu consigo.
...Bom e quanto a mulher, nós ainda mantemos contato e uma amizade, não sei se vai rolar ou não no futuro mas eu sinceramente não tô me importando com relacionamentos agora, eu quero minha casa!
Além disso, ela é uma pessoal bem legal de sair junto mesmo que seja só na amizade e adora conversar sobre quase tudo.
Enfim, eu sinceramente estou bem animado agora e espero conseguir manter esse ritmo o máximo que puder :)
E aqui vai um recado pra vc que lurka esse sub e talvez tenha algo a pra por pra fora:
Faça isso! Desabafa também, mesmo que ninguém aqui te responda, pelo menos tenta!
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2020.08.22 16:26 clzedi "Paraquedas emocional" (ou " Primeiro Te Amo não correspondido")

Não tive coragem de tomar os remédios com bebida. Três coisas, nessa respectiva relevância, frearam meu instinto irracional naquele momento: minha filha, meu cigarro e vocês. Essa combinação de eventos foi meu paraquedas na queda livre vertiginosa que estava até o fundo do poço.
Narro resumidamente os eventos da soturna madrugada: minha filha me ligou durante minha tentativa de me dopar fatalmente, depois disso, terminei o texto "testamento", um desabafo que escrevi aqui, entitulado como "O que sobrou de mim". Depois de postar, aconteceu a coisa mais inusitada da noite aconteceu: num ímpeto, empurrei tudo que havia em cima da cama pelo chão do quarto, esquecendo o cigarro entre meus dedos, que de alguma forma queimou minha mão e se perdeu dentro do cobertor...
... Instinto de sobrevivência é algo incrível!
Pulei correndo, joguei o cobertor no chão procurando o maldito cigarro, a essa altura já apagado. Dei risada no meio do choro, sentei no chão e desabei. Não lembro no que pensei nos próximos 20 minutos, mas lembro de ter chorado como criança.
Depois de levantar, abri o Reddit e vi que havia dois comentários. É incrível como dois desconhecidos podem alterar todo planejamento do dia. Eles me motivaram, sentiram uma fagulha da minha dor a distância, e falaram o que eu já sabia, mas precisava ouvir de outras pessoas: continue remando.
Durante o outro dia, outros desconhecidos vieram e comentaram também. Outrora, comentários na internet eram pra mim um conceito vago de comunicação. Hoje, são bússolas distintas, que nem sempre guiam pelo mesmo caminho, mas todas em uma direção só. Vocês não tem ideia de como me ajudaram com isso tudo até o momento.
Esses dois últimos dias foram difíceis, mas aprendi a trocar a dor emocional pela dor física. Não comi nada nas últimas 48 horas, e a bebida tem me feito conseguir dormir. Meu trabalho está a revelia.
Ontem precisei falar com ela, e me deixei a disposição para conversar. Me ocorreu que talvez ela precise disso tanto quanto eu. Ela respondeu amistosamente, e disse que está se tratando e pela primeira vez quer melhorar. Eu gostei muito de ler aquilo, me deu esperança...
... Foi aí que resolvi me despedir como sempre me despedi dela: "Te amo"
Essa foi a pior decisão de minha vida. Em 12 anos, pela primeira vez, ela não me respondeu.
É engraçado como a ausência de duas palavras podem fazer um buraco enorme no peito. A tristeza é maior do que tudo nesse momento, e por mais que eu saiba que o sentimento está ali dentro dela, ela não consegue mais achar ele para colocar em cinco letras.
Queria amar a mim mesmo na mesma intensidade que amo tudo que a gente criou juntos. Eu sou construção dela, e ela construção minha. Percebo agora que sou péssimo nisso.
Esse último parágrafo me fez pensar: talvez eu realmente não mereça ela. Talvez ela tenha chegado a esse ponto por minha causa, e minha punição será ver ela seguir em frente sem mim.
Ainda está tudo muito nebuloso e confuso. O único jeito de saber disso é continuar vivo mais um tempo, melhorar para estar bem e, quando ela voltar, caso ela voltar, não ser eu o único problema agravado depois dessa crise.
Vou voltar a fazer academia: pra quem quase cometeu suicídio duas vezes em dois dias, o Coronavirus não será um problema tão grande. Vou me automedicar com antidepressivos também, preciso de minha mente no lugar. Vou continuar postando minha rotina emocional aqui também, pois tem me ajudado tanto escrever quanto ler os comentários.
Eu vou melhorar, mas estou decidido: assisti 12 episódios dessa série linda, e tinha o sonho de assistir mais 50. Se isso for privado de mim, vou desligar a TV.
Só decidi que, se for para tomar uma decisão tão importante na minha vida, que seja de corpo e alma são. Tenho medo somente das fagulhas de coragem. O álcool nunca foi tão doce, o pedal nunca foi tão fundo, e o gatilho nunca foi tão leve quanto agora. Preciso fugir dessas escolhas fáceis!
Eu vou melhorar... Pela minhas filhas, por ela, por mim.
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2020.08.02 04:53 Gacrux29 Não aguento mais a minha rotina

Eu sou autônomo e trabalho só em home office há mais de dois anos e meio. Já desabafei algumas vezes no reddit por causa disso. Eu amo o meu trabalho, mas a rotina dele as vezes é difícil. Passo muito tempo sozinho, sem contato com ninguém.
O problema é que com a pandemia, todas as coisas ruins da rotina foram pra outro nível. Eu devo ser um dos únicos trouxas ainda que está cumprindo a quarentena. Deixei de frequentar a academia, aulas de natação, só vejo a minha namorada uma vez por mês, na casa dela ou na minha, e desde o começo da quarentena, não saio mais de casa pra nada. As áreas comuns do prédio estão interditadas, são só para passagem agora.
Minha rotina se resume a: acordar, trabalhar, dormir. As vezes sobra um tempo pra jogar de noite, mas praticamente só isso.
Eu sempre fui uma pessoa com bastante energia pra gastar. Eu montei um treino em casa, mas sinto que não é a mesma coisa que academia. Gosto da sensação de puxar ferro, nunca fui tanto de exercícios só com peso do corpo. Aqui onde eu moro é bem pequeno, então não cabe praticamente nenhum equipamento pra se exercitar.
Não perdi meu trabalho por conta da pandemia, mas recebo menos do que antes enquanto trabalho mais. Isso tem me esgotado.
Me sinto cansado e ao mesmo tempo sinto que tenho uma energia que precisa ser gasta, é estranho isso, mas é o que sinto. Essa dinâmica tá me deixando louco. Na hora de fazer meu treino em casa, sinto muita preguiça. E tenho demorado muito pra dormir pois não gastei energia alguma durante o dia.
Eu quero muito mudar a rotina, mas ao mesmo tempo me sinto tão esgotado que não consigo. Realmente não sei o que fazer. Alguém tem alguma dica? Qualquer coisa já ajuda. Estou sem ideias. Eu só queria não me sentir esgotado e ao mesmo tempo frustrado por não gastar energia fisicamente.
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2020.07.27 04:02 Enigma_Machine1 Odeio gatos

Antes de mais nada, gostaria de deixar claro que, por mais que eu odeie/não me sinta confortável perto de gatos, eu jamais prejudicaria eles fisicamente, mesmo tendo muito vontade (erroneamente, claro - talvez vocês "entendam com o meu relato). Não é disso que o desabafo se trata.
Esse é um relato meio longo.
Eu nunca convivi com gatos. Sempre cresci com cachorros em casa, tive um que me acompanhou desde a época da escola até terminar a faculdade. Amei muito ele, hoje tenho outro, um resgatado, que amo muito. Sempre amei cães, passei mais anos da minha vida com cães do que sem.
Por ter rinite alérgia, eu nunca cogitei ter um gato. E, antes de conviver com eles, eu não sabia dessa minha apatia gigante por eles. Esteticamente, até acho alguns fofos etc, mas também nada demais, longe dessa "loucura" que algumas pessoas sentem por eles.
Passei a ter um convívio maior com gatos através de uma das minhas primeiras namoradas. Ela tinha 3 gatos. Eu era bem novo, ela morava em uma kitnet, então 3 gatos já era bastante coisa. No geral eles até que eram comportados, mas lembro que acabaram estragando algumas coisas minhas (mochilas principalmente) e isso me irritava muito. Sem contar a rinite, que me deixava ainda mais irritado, mas na época eu pensava que era por estar um cômodo de uns 25m2 no máximo, sem ventilação adequada.
Eu namorei pouco menos de 3 anos com ela e foi durante esse período que a minha irritação com gatos aumentou. Uma das gatas SEMPRE dava o jeito de fugir do apartamento dela pro corredor e pro jardim que tinha no prédio. Minha ex me ligava e eu tinha que ir correndo ajudar ela a pegar a gata que, eu não entendo, morria de medo quando saía da casa (pra quê sair então, né, porra?), então era foda pegar ela, se enfiava em cada canto filha da puta de alcançar.
Os outros gatos eram um pouco mais de boa, mas a quantidade de pelos que deixavam pelo apartamento dela era um absurdo. Nem passando aspirador 2x por dia parecia que fazia alguma diferença. Minha ex não ligava, mas me incomodava ver eles estragando todos os móveis que ela tinha. Era o box da cama todo arrebentado (mesmo eles tendo arranhador), não podia ter uma única peça de decoração sobre uma mesa ou estante pois sempre derrubavam e quebravam, tinha que deixar a tampa da privada sempre abaixada pois eles davam um jeito de subir nela e não conseguir sair (burros). Até na cozinha, eu queria preparar algo pra comer e tinha pelo em tudo, mesmo se a gente limpasse.
Eu não diria que minha ex dava liberdade total para os gatos, na verdade ela sempre foi pé no chão com isso, várias vezes se irritava com a encheção de saco deles também (pra dormir principalmente - como era uma kitnet, não dava pra deixar em um cômodo separado, então era 3 da manhã e vinham encher o saco pedindo ração sendo que a porra do pote tava 90% cheio).
Enfim, terminei com ela mas o ranço pelos gatos ficou. Depois disso só tive namoradas que tinha cachorros ou então nenhum pet. Avancemos alguns anos para os dias de hoje.
Estou namorando há quase dois anos, já tenho planos de morar junto com a minha namorada, nos amamos muito e nos damos super bem. Além da parte romântica, temos um companheirismo e uma amizade muito boa, sempre apoiamos um o outro. Claro que já tivemos brigas, eu tenho os meus problemas e ela os dela, mas nada que não conseguimos superar na base da conversa. O único problema é que ela tem 6 gatos.
Recentemente, passei uns 20 dias quarentenado no apartamento dela. Está longe de ser uma kitnet, mas pra 6 gatos eu considero um lugar pequeno.
Eu tive, é claro, todos os problemas com minha rinite, mesmo tomando remédios de 8 em 8 horas pra aliviar. Se os três gatos dessa minha ex davam trabalho, o dobro deles é muito, muito pior pra mim.
Gente, nesses 20 dias eu vi cada coisa que me irritou pra além do limite. Obviamente que não demonstrei isso, mesmo ela tendo plena noção que pra mim bicho é bicho, humano é humano (eu não mimo meus bichos, trato meu cachorro super bem, mas longe de mimar com coisas que acho frescura, tipo dar banho dia sim dia não, fazer comer só T bone australiano ao molho de ervas finas, essas merdas - ele come ração, petiscos e de vez em quando frutas, só). Eu estava na casa dela, regras dela. Só que por amar tanto gatos, e mimar eles, na minha opinião, ela dá carta branca pra eles fazerem o que quiserem, sem consequência nenhuma (nunca dá bronca, não impõe limites).
Somente durante esse período: um dos gatos resolveu afiar as unhas no meu tênis novo (só não estragou pois percebi logo nos primeiros dias e depois escondi - mas encheram eles de pelos em algumas horas, eu não sei como); um outro escolheu a mochila velha da minha namorada pra vomitar bem em cima, cheia de coisa dentro. E não foi pouco. Outro gato afiou as unhas na mochila novinha dela e já arranhou uma parte dela. Tinha literalmente acabado de chegar, ela só colocou no sofá por um instante pra arrumar outras coisas e foram lá estragar.Um outro gato você não pode nem se mexer que ele se assusta, sai correndo e derruba tudo o que vê pela frente.
Eu levei meu notebook pra poder trabalhar. Deixava ele guardado quando não usava, claro, mas enquanto trabalhava, faziam questão de ficar se esfregando nele, enchendo de pelo, queriam subir na porra do teclado toda hora, tiraram ele da tomada umas 3x enquanto carregava e um dia desligaram ele no meio de um trabalho (eu estava distraído e deixei o note uns minutos de lado).
De noite era outro pesadelo. Obviamente eu não deixava nem conseguiria dormir com a porta da suíte aberta, com os gatos circulando, pois a minha rinite simplesmente me mataria. Mas é só fechar a porra da porta que começam a raspar aquela merda. Era a madrugada inteira assim, sem contar aquele miado irritante pra caralho, incessante. Puta que pariu, eu juro que me dava vontade de abrir a porta e dar um chutaço no gato no calor do momento. Claro que não fiz isso, mas a vontade realmente existiu. Pior que nem assim acho que adiantaria. E sim, já tentamos de tudo. Aqueles produtos que supostamente repelem os gatos com cheiros ruins, arranhador, tudo - só não tentei adestrar pois não moro lá e, tirando a exceção da pandemia, eu só fico no apto dela aos finais de semana, ou então ela fica no meu, enão meu convívio com os gatos nunca passou de umas 48h, o que era suportável e não exigiria adestramento. Sem contar que acho que nunca vi na vida um gato que obedece o dono.
De manhã era sempre a mesma merda. Algum gato sempre deixava um vômito de presente em algum lugar da casa. No sofá, na cozinha, em cima da mesa. Parece que escolhem sempre o pior lugar possível pra isso.
Nem preciso falar como são os móveis da casa, não? Zero decoração pois derrubam tudo. Sofás arrebentados. Toda hora pegavam coisa do varal e derrubavam. Mesma coisa com toalhas nos boxes dos banheiros. Eu tinha que me preocupar com meu note toda hora, as vezes queria só pegar algo na cozinha e tinha que esconder ele só pra não pegarem.
"Pote de comida está semi-cheio, tendo ração pra caralho? Vou derrubar ele e espalhar ração pela casa pq quero ver ele cheio sempre. A caixinha de areia tem UM cocô? Vou ficar miando o dia inteiro até alguém limpar isso, pra depois eu sair andando e não fazer as minhas necessidades. Quer ir tomar banho? Vou entrar no banheiro com você, mas no mesmo segundo que você ligar o chuveiro, vou ficar enchendo o saco pra sair. Quer dormir? Vou ficar miando na porra da porta. Quer almoçar? Vou subir na mesa e ficar te batendo com a pata pra me dar comida, pra quando você oferecer, recusar, sair da mesa, voltar em 2min e pedir comida de novo. Abriu o armário pra pegar algo? Vou entrar aqui sem você ver, deixar que feche a porta, depois vou ficar miando e, quando perceber que ninguém vai me ajudar, vou começar a ficar com medo e tirar todas as roupas do cabide. Me pegou no colo pq tô faznendo merda? Vou te arranhar e morder pra caralho (unhas cortadas, pelo menos isso). Tá concentrado vendo TV/jogando/mexendo no pc? Foda-se, vou ficar na frente da tela e se me tirar eu entro na frente de novo. Tá de boas na cama/sofá? Vou pular em cima de você do nada ou te usar como apoio pra pular em alguma outra coisa, foda-se se te assustar."
E acho que o que mais irrita é que, nem mesmo com a minha namorada, eles parecem ligar. O máximo de afeto que eles dão é sentar no seu colo, e mesmo assim tenho as minhas dúvidas se isso é uma demonstração de afeto mesmo.
Eu não sei se é o número de gatos que me deixa puto, ou se eu suportaria se fosse apenas um. Mas na real, eu não consigo gostar desses bichos. Pra mim são seres filhas da puta, egoístas, burros (não aprendem/não querem aprender nada no sentido de adestramento), nem um pouco carinhosos, estragam absolutamente tudo o que você coloca pela frente, ou seja, você vive em função deles e não tem nada em troca, pelo contrário, só despesas. Na minha opinião, viver com gatos é viver em uma prisão onde você precisa satisfazer a necessidade deles 24h por dia.
A minha única tática que funcionou durante esses dias foi a seguinte: spray d'água e espírito de porco. Se eu via algum deles fazendo merda, já corria com o spray e borrifava na cara deles. Isso me dava uns minutos de sossego, pois eles se assustavam e ficavam num canto sem encher o saco. Tem dois gatos que eram os mais folgados (80% do que comentei foi obra só deles). O que eu fiz? Enchi mais o saco deles do que eles o meu. Pegava eles no colo a cada 2 min - coisa que eles odeiam - e ficava um tempo com eles assim, até começarem a miar que estavam irritados. Eu soltava, esperava eles se aconchegarem e pegava eles de novo. No final desses 20 dias, era suficiente eles me verem pra saírem do meu caminho. Se faziam merda, eu simplesmente aparecia na frente deles e eles saiam correndo. Fiquei satisfeito pois sei que consegui controlar um pouco eles sem violência nenhuma (o que é algo deplorável e eu jamais faria, mesmo o meu ódio por eles "pedindo" isso - eu não teria coragem).
Eu só penso que, a bem da verdade, nem isso seria o suficiente pra mim a longo prazo. Eu tive que entrar em um estado de alerta 24h por dia pra borrifar o spray/encher o saco deles e eu não conseguiria viver assim por muito tempo. Meu asco por gatos é tão grande que é só ouvir algum miado que já fico irritado.
Eu imagino que a maioria aqui vai falar que não é bem assim, que nem todo gato é assim. Pode até ser, mas todos os que conheci são esses infernos na terra. Todo amigo meu que tem gato tem alguma história do tipo. De quebrar coisas caras, de machucar pessoas, sem contar que gatos são extremamente nocivos ao meio ambiente, o que eles matam de pássaros e outros animais não é brincadeira.
Sei que cães também podem fazer coisas assim, mas cara, nem mesmo o cachorro mais "destruidor" que tive chegou nesse nível. O máximo que ele fazia era mijar em lugar errado e latir quando eu ia comer.
Enfim, fica aqui o meu desabafo. Deve estar meio desconexo pois escrevi no calor do momento, conforme ia lembrando das merdas que eles fizeram. Me sinto meio peixe fora d'água postando em um site que idolatra gatos, o reddit, mas está aí.
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2020.07.12 06:09 saranonicknames Início de um sonho // Sempre dá algo errado

Hoje é o primeiro dia que entro nessa comunidade (fiquei sabendo por um vídeo) e isso que você está lendo também é o meu primeiro post aqui no reddit. Por alguma coincidência do destino, o dia de hoje foi interessante e importante para mim, o que normalmente (agora na quarentena) é bem difícil de acontecer, portanto, decidi compartilhar com vocês.
Eu tenho 16 anos e já faz uns 4/5 anos que aprendi a editar vídeos. Assim como todo mundo, comecei editando vídeos para a escola sem pretensão nenhuma e criando um canal no youtube de, adivinha só, minecraft. Essa parte não é muito importante, o fato é que editar vídeos começou a ser uma paixão para mim e meus amigos sabiam disso e me pediam ajuda com vídeos de trabalhos. Claro que eu ajudava, de graça, afinal eram meus amigos e eu nunca tinha pensado realmente em ganhar dinheiro com isso, até porque na época eu não era grande coisa na edição também. Os anos foram mudando comigo aprendendo mais sobre edição e passando horas e dias editando vídeos que me pediam, só por hobby mesmo, até que isso começou a me desgastar um pouco. Eram vídeos feitos de graça e que algumas pessoas ainda reclamavam de coisas específicas dele, e lá ia eu, arrumar o "erro" e reenviar, sem nem falar nada sobre. Até que hoje, depois de muitos vídeos editados, eu recebi meu primeiro "pagamento" pelo trabalho que eu AMO fazer. "Pagamento" entre aspas, porque não foi dinheiro mesmo, foi um jantar, mas eu não poderia ter ficado mais feliz por isso. Todo mundo fica feliz quando ganha seu primeiro salário e eu estava ganhando com algo que eu amo, era basicamente o meu sonho. Mas, se o título não deixou claro, alguma coisa estragou meu dia, o dia que era tão especial. Só faltava eu saltitar de felicidade quando o motoboy apitou na frente da minha casa com o lanche, estava chovendo e meu pai (bêbado) brigou comigo por ter que ir pegar o lanche na chuva, mas tudo bem, era algo normal, não iria deixar isso estragar minha felicidade. Ia vir um lanche para a minha mãe também, mas na última hora, esse restaurante negou o cartão, então só veio o meu jantar. Minha mãe não ficou muito feliz com isso, mas também não brigou. Enquanto meu pai estava pegando o lanche, minha mãe estava orando no quarto dela, mas não me aguentei e comecei a falar do quão feliz estava, obviamente ela não reagiu bem. Me mandou sair do quarto, porque ela estava ocupada. Não é algo que parece destruir infâncias ou coisas assim, mas doeu. Doeu, porque um sonho meu estava se realizando, e ninguém parecia ligar para aquilo, menos do que não ligar. O meu pai entrou em casa e tudo ótimo, eu pelo menos poderia aproveitar meu lanche em paz no meu quarto... se meu pai não brigasse comigo para comer na cozinha. Por 0 motivos. Nunca tinha falado isso antes. Toda minha animação já tinha ido embora. Aquele momento que parecia único e vitorioso, foi transformado em algo ordinário, sem valor. Insisti muito pra ir para o meu quarto e, quase chorando, fui. Subi as escadas e chorei sozinha no banheiro. Parece exagero quando vista essa situação de fora, eu sei. Eu concordo que palavras e ações tão simples quanto aquelas não deveriam estragar meu dia, mas não consegui evitar. Foi algo inesperado. Esperava orgulho, recebi indiferença. Pessoas que, na minha visão, deveriam estar tão orgulhosas, mas que provaram totalmente o contrário.
Não é uma história de perda, não é uma história digna de ser comparada com as mais tristes dessa comunidade. É apenas uma história de como palavras e ações pequenas podem se tornar algo grande. De como sua família muitas vezes é quem estraga as coisas para você, a sua família, que deveria sempre te proteger.
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2020.06.15 04:52 altovaliriano Shae (Parte 3)

Uma prostituta aprende a ver o homem, não seu traje, caso contrário acaba morta numa viela.
(ACOK, Tyrion X)
Martin começa a trajetória de Tyrion em A Tormenta de Espadas já estabelecendo o destino de Shae. Tywin e Tyrion estão discutindo sobre a sucessão de Rochedo Casterly quando entram no assunto sobre Alayaya, Tysha e Shae. Curiosamente a pergunta parte do próprio Tywin:
E aquela seguidora de acampamentos no Ramo Verde?
Que importa? – perguntou, sem querer nem mesmo proferir o nome de Shae em sua presença.
Não importa. Não mais do que me importa que elas vivam ou morram.
(ASOS, Tyrion I)
Como sabemos pelo último capítulo, Tywin se importa, sim. Shae aparece no julgamento testemunhando contra Tyrion e falando de estar com ele desde Ramo Verde, um detalhe que dificilmente escaparia a Tywin. Além disso, nesta primeira conversa, o pai de Tyrion completa com uma sentença interessante:
E não tenha ilusões: esta foi a última vez que tolerei que trouxesse vergonha à Casa Lannister. Acabaram-se as putas. A próxima que encontrar em sua cama, vou enforcar.
(ASOS, Tyrion I)
E interessante que Tywin tenha ameado enforcar Shae se a encontra-se na cama de Tyrion, pois, como o verbete sobre Shae na Wiki Gelo e Fogo sinaliza, Tyrion fez exatamente isso com Shae quando a encontra na cama do pai em seu último capítulo do livro.
A primeira vez que vimos Shae foi em um encontro no quarto de Varys, à pedido (e insistência) de Tyrion. O anão havia determinado que usaria este encontro para dar um fim na relação com Shae, em decorrência das ameaças do pai, especialmente depois que Tywin citou explicitamente a “seguidora de acampamentos no Ramo Verde” logo no capítulo anterior.
O encontro parece ser um encontro típico entre os dois, exceto que há nas duas partes desejos ocultos. Tyrion quer tirar Shae da corte e Shae deseja exatamente o contrário. Quando Tyrion aborda o assunto de maneira direta, a garota troca imediatamente de assunto, procurando massagear o ego do anão:
Shae – disse –, querida, esta tem de ser a última vez que ficamos juntos. O perigo é grande demais. Se o senhor meu pai encontrá-la...
Gosto da sua cicatriz. – A moça percorreu-a com um dedo. – Faz com que pareça muito feroz e forte. [...] O senhor nunca será feio aos meus olhos. – Ela beijou a escara que cobria os restos destroçados do seu nariz.
(ASOS, Tyrion II)
Shae insiste em não dar ouvidos a Tyrion durante toda a conversa, se limitando a tentar manipulá-lo a deixar ficar na capital. Toda aquela compaixão pelo novo ferimento adquirido de Tyrion não contém qualquer coerência, porque a garota continua tão inescrupulosa e insensível quanto era em A Fúria dos Reis. Sua maior preocupação ainda são bens materiais e sua falta de empatia por Lollys Stokeworth ainda é gritante:
[…] O senhor vai me devolver agora as joias e as sedas? Perguntei a Varys se ele podia me dá-las quando você foi ferido na batalha, mas ele não quis. Que teria acontecido com elas se tivesse morrido? [...]
Posso ir ao banquete de casamento do rei? A Lollys não quer ir. Disse-lhe que ninguém deverá estuprá-la na sala do trono do rei, mas ela é tão burra.
(ASOS, Tyrion II)
Entretanto, nem tudo é repetição nessas frases arrogantes de Shae. No meio de tudo, há uma pequeno trecho de diálogo de importância futura. Quando Tyrion tenta fazer com que a prostituta compreenda o perigo que Tywin oferece à vida dela, a garota apenas responde “Ele não me assusta”.
Esta simples sentença revela que GRRM estava sutilmente costurando elementos nesta primeira conversa que seriam trazidos de volta novamente na última cena de Tyrion e Shae juntos. Quando a garota o vê nos aposentos do pai, ela se assusta e começa a disparar justificativas. Entre estas justificativas, ela justamente se contradiz dizendo “Por favor. Seu pai assusta-me tanto” (ASOS, Tyrion XI).
Naquele primeiro diálogo, Shae sabia que Tyrion havia perdido seu cargo e, com isso, até mesmo sua permanência como aia de Lollys dependia inteiramente de ela manter seu disfarce. Àquela altura, o anão não tinha mais poderes de lhe arranjar uma nova colocação para ela, e por essa razão a garota sabia que tinha que tentar extrair de Tyrion o máximo que conseguisse.
Com isto em mente, fica claro que GRRM faz da cobrança de promessas antigas uma metáfora visual para Shae tentando segurar Tyrion via dominação sexual. Segundo o próprio Tyrion (ASOS, Tyrion VII), seu pênis era o orgão responsável por fazê-lo agir tolamente frente a manipulação da garota. E é justamente por aí que Shae o está segurando na cena, literalmente:
Não quero sair. O senhor me prometeu que eu voltaria a me mudar para uma mansão depois da batalha. – A boceta dela deu-lhe um pequeno apertão, e ele começou a enrijecer de novo, dentro dela. – Um Lannister sempre paga as suas dívidas, você disse.
(ASOS, Tyrion II)
Ao perceber que não vai conseguir nada por esta via, Shae passa a falar sobre o casamento de Joffrey e elabora um plano para que Tyrion a leve consigo, em troca de favores sexuais durante a festa. Aqui a garota não está mais se valendo da dominância, mas tentando persuadir o anão. Por isso, Shae passa a afagar o órgão sexual ao invés de prendê-lo:
– […] Eu encontraria um lugar em algum canto escuro abaixo do sal, mas sempre que se levantasse para ir à latrina, eu poderia escapulir e ir encontrá-lo. – Envolveu a pica dele nas mãos e afagou-a com suavidade. – Não levaria roupas de baixo sob o vestido, para que o senhor nem precisasse me desatar. – Os dedos dela brincaram com ele, para cima e para baixo. – Ou, se quisesse, podia fazer-lhe isto. – Enfiou-o na boca.
(ASOS, Tyrion II)
Quando Tyrion mostra que está veementemente decidido a que ela não deixá-la ir, Shae se retrai para a cortesia fria. Tyrion está pensando em como concederia facilmente o desejo de Shae, caso o pai não tivesse ameaçado enforcá-la, contrariando o que ele disse em A Fúria dos Reis, sobre o amor por Shae envergonhá-lo:
Se a escolha fosse sua, ela poderia sentar-se a seu lado no banquete de casamento de Joffrey, e dançaria com todos os ursos que quisesse.
(ASOS, Tyrion II)
Eu atribuo essa mudança de postura (de amor proibido envergonhado para amor proibido cauteloso) ao momento de Tyrion, em que ele perdeu todo o prestígio e está tentando se agarrar na única coisa de seu momento glorioso que ainda tem: Shae.
Em verdade, o comportamento de Shae espelha o de Tyrion. Ambos estão tentando arranjar um jeito de manter seu status. O anão também está tentando voltar ao poder pelas vantagens terrenas que ele oferece e não mais para “fazer justiça”. Naquele momento, Tyrion estava sendo a Shae de Tywin, pois está a todo custo tentando reivindicar direitos e reconhecimentos de seu pai.
O surpreendente é que após toda a teimosia de Tyrion, Shae finalmente cede a seu instinto de autopreservação e dá a Tyrion um parágrafo inteiro de resignação e obediência, ao fim do qual Shae apela para o cavalheirismo de Tyrion e lhe arranca uma promessa:
[...] Gostaria de ser a sua senhora, mas não posso. Se fosse, você iria me levar ao banquete. Não importa. Gosto de ser rameira para o senhor, Tyrion. Basta que me mantenha, meu leão, e que me mantenha a salvo.
Manterei – prometeu ele. Tolo, tolo, gritou a sua voz interior. Por que disse isso? Veio aqui para mandá-la embora! Em vez disso, voltou a beijá-la.
(ASOS, Tyrion II)
A prostituta parece entender que o novo momento de Tyrion exige dela uma abordagem diferente. Em suas palavras, de um homem poderoso que poderia desafiar o mundo por ela, ele agora era um cavaleiro que a protegia e resgatava do perigo:
Pensava que o senhor tinha se esquecido de mim. – O vestido dela encontrava-se pendurado em um dente negro quase tão alto quanto ela, e a moça estava em pé dentro das mandíbulas do dragão, nua. […] – O senhor vai me arrancar de dentro das mandíbulas do dragão, eu sei. [...]
Meu gigante – ela ofegou quando a penetrou. – Meu gigante veio me salvar.
(ASOS, Tyrion VII)
Shae veste tão bem a fantasia de donzela que chega a declarar seu amor a Tyrion e Tyrion responde em pensamento. Porém, por alguma ironia do destino, a prostituta estava querendo lhe fazer pensar que ele era um cavaleiro, enquanto o próprio Tyrion queria lhe casar com um cavaleiro de verdade para se ver livre dela:
E eu também a amo, querida. Podia ser uma prostituta, mas merecia mais do que o que ele tinha para dar. Vou casá-la com Sor Tallad. Ele parece ser um homem decente. E alto…
(ASOS, Tyrion VII)
É curioso como este é o único efeito colateral do novo estratagema de Shae. Tyrion fica tão embrigado pela ideia de ser o cavaleiro salvador da garota, que ele tem um momento de desencanto quando a prostituta sequer teme perdê-lo ao saber de seu casamento com Sansa Stark:
[…] Não me importa. Ela é só uma garotinha. Vai deixá-la comuma barrigona e voltar para mim.
Uma parte dele tinha esperado menos indiferença. Tinha esperado, escarneceu amargamente, mas agora sabe como é, anão. Shae é todo o amor que provavelmente terá.
(ASOS, Tyrion IV)
Eu penso que a indiferença de Shae se fundava em ela saber que somente corria perigo se Tyrion arranjasse outra prostituta como amante. Ela estava ciente do quão sexualmente indesejável ele era para a maioria da população de westeros e como ele era complexado com sua aparência e traumatizado com relações amorosas. Portanto, um casamento arranjado com uma jovem nobre donzela realmente não lhe representava perigo algum. Ela até mesmo tenta pedir na frente de Tyrion que Sansa a leve ao casamento de Joffrey, demonstrando que seu objetivo de participar da boa é sua real prioridade.
Porém, não há que se dizer que Shae é uma pessoa desprovidade de sonhos e fantasias. O fato é que esta fantasias não são românticas, mas delírios com mudanças de status social, luxos e riquezas. Quando Sansa a chama para ver uma nuvem no céu que parece um castelo:
É feito de ouro. – Shae tinha cabelos escuros e curtos e olhos ousados. Fazia tudo o que lhe era pedido, mas às vezes dirigia a Sansa os mais insolentes dos olhares. – Um castelo todo feito de ouro, aí está uma coisa que eu gostaria de ver.
(ASOS, Sansa IV)
Ou quando conversava com Sansa sobre Ellaria Sand e a garota apresenta sua versão dos fatos em que Ellaria seria uma espécie de Shae que “deu certo” em razão do relacionamento com Oberyn:
Era quase uma prostituta quando ele a encontrou, senhora – confidenciara a aia – e agora é quase uma princesa.
(ASOS, Sansa IV)
E são suas fantasias por status e luxo que a levam a testemunhar contra Tyrion a pedido de Cersei. O depoimento de Shae acontece logo antes de o anão pedir o julgamento por combate. Dessa forma, tudo o que a garota diz se torna juridicamente irrelevante de uma hora para outra. Essa manobra de Tyrion acaba por fazer com que Cersei se livrasse da obrigação de cumprir sua parte do acordo:
Shae, o nome dela era Shae. A última vez que tinham conversado fora na noite anterior ao julgamento por combate do anão, depois de aquele dornês sorridente ter se oferecido como seu campeão. Shae inquirira acerca de umas joias que Tyrion lhe oferecera, e de certas promessas que Cersei poderia ter feito, uma mansão na cidade e um cavaleiro que a desposasse. A rainha deixara claro que a prostituta não obteria nada até que lhes dissesse para onde fora Sansa Stark.
(AFF, Cersei I)
Interessante notar que o acordo feito por Shae consiste apenas no que Tyrion já tinha em mente em lhe dar.
O depoimento de Shae é uma peça que me chama bastante a atenção. A garota não só conta como Tyrion supostamente teria lhe tomado como amante à força e confidenciado os planos de matar Joffrey durante sua última noite juntos. Shae revela ali, perante Tywin, que era seguidora de acampamento do Ramo Verde:
Nunca quis ser uma prostituta, senhores. Estava noiva. Ele era um escudeiro, um rapaz bom e corajoso, de bom nascimento. Mas o Duende viu-me no Ramo Verde e pôs o rapaz com que meu queria casar na primeira fila da vanguarda, e depois de ele ser morto ordenou aos selvagens que me levassem à sua tenda. Shagga, o grande, e Timett, como olho queimado. Ele disse que se não lhe desse prazer, me entregava a eles, e portanto eu dei. Depois trouxe-me pra cidade, pra ficar por perto quando ele me quisesse. Obrigou-me a fazer coisas tão vergonhosas […]. Ele usou-me de todas as maneiras que há e… costumava me obrigar a dizer como ele era grande. O meu gigante, eu tinha de lhe chamar, o meu gigante de Lannister.
(ASOS, Tyrion X)
Como esta parte do depoimento era completamente desnecessária, eu fico me perguntando se ela foi bolada pela própria Shae, Varys ou Cersei. Sabemos que a garota é capaz de mentir, mas não vimos coisas com este tipo de elaboração. Como Varys é quem estava administrando o disfarce de Shae, fornecendo -lhe até histórias falsas sobre seu passado para que contasse à Tanda Stokeworth, acredito que tenha sido ele quem a orientou a assim depor.
Porém, qualquer seria o objetivo disto? Apenas para ele próprio se safar da acusação de que estava trazendo informações erradas a Cersei, algo que já lhe preocupava (ASOS, Tyrion VII)? Ou Varys queria que o depoimento de Shae chamasse a atenção de Tywin?
De fato, em uma entrevista em 16 de junho de 2014 à Entertainment Weekly, afirmou que a questão entre Varys, Shae, Tyrion e Tywin é algo que ele fará revelações nos próximos livros:
EW: Certo, e há também a questão da surpresa da hipocrisia de Tywin quando ele [Tyrion] a encontra na cama dele. Tywin sabia que ela era uma prostituta [na versão do livro isso não fica claro]? Ou ele simplesmente não ligava?
GRRM: Ah, eu acho que Tywin sabia sobre Shae. Ele provavelmente adivinhou que ela era a seguidora de acampamento que ela havia expressamente dito “você não levará aquela puta para corte”, mas que Tyrion o havia desafiado e levado "aquela puta" à corte. Quanto ao que exatamente ocorreu aqui, é algo sobre o qual não quero falar, porque há aspectos disso que eu não revelei e que serão revelados nos próximos livros. Mas o papel de Varys em tudo isso é algo para se levar em consideração.
Esta entrevista deu fundamentos para que os leitores passassem a acreditar que Varys teria influenciado Tyrion a matar Tywin. Mas, para fins desta análise, nos cabe apenas ver a situação da ótica do que aconteceu com Shae, quem até mesmo pela teoria acima seria um alvo secundário.
Assumindo que Varys tenha orientado Shae a dar este depoimento para chamar a atenção de Tywin, como é que isso a colocaria na Torre da Mão na noite anterior à execução de Tyrion? Sabemos que Cersei mandou Shae embora ás lágrimas na noite entre o depoimento de Shae e o julgamento por combate entre Gregor e Oberyn, então somente depois desta noite é que Shae provavelmente estaria suporte. Caso ela já estivesse sendo sondada por Tywin, dificilmente sairia chorando...
Eu alimento uma teoria que o ponto que fez Tywin se interessar pela garota foi a bajulação que ela confessou fazer a Tyrion. “Meu gigante de Lannister” parece ser o tipo de frase que agradaria um homem como Tywin debaixo dos lençóis. A partir daí, bastaria que Varys fizesse uma sugestão aqui, outra acolá e de repente Tywin já estava pedindo a alguém que enfiasse a menina em seus aposentos na noite seguinte.

Declarações de GRRM sobre Shae

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2020.05.12 17:05 Glenallen_Mixon22 Texto sobre suicídio que postei em um sub gringo.

Postei esse texto em um sub gringo e traduzi para mandar para uma amiga e decidi que poderia ser bom postar aqui(espero que ela não use o reddit e não esteja nesse sub hshshhs). "Antes de eu começar eu só quero dizer que sei que algumas pessoas aqui podem se sentir como se oq eu vou dizer fosse "problemas de pessoas brancas" ou algo do tipo, bom, eu apenas quero falar a respeito de como filmes/series/músicas ou outras coisas, podem mudar tudo na sua vida(para melhor ou para pior). Por volta de 2017-2018 eu estava me sentindo como se minha vida não valesse a pena ser vivida por várias razões, então eu comecei a ouvir Led Zeppelin e aqueles sentimentos começaram a sumir, eu sei que isso pode soar estúpido mas aconteceu comigo. Eu comecei a ouvir Led todos os dias, eu costumava fechar os meus olhos e viajar naquelas músicas e isso me dava conforto e esperança, eu não sei pq mas dava. Eu comecei a me sentir cada vez melhor, até que eu não tinha mais aqueles sentimentos de que o único caminho era acabar com minha vida. Esse ano eu comecei a assistir Skins(Reino Unido) e aqueles sentimentos de esperança começaram a crescer ainda mais fortes, a série realmente capta o quão confuso é ser adolescente, não é como algumas séries sobre adolescentes onde os problemas deles são existem apenas pq eles são mimados. Você odeia os personagens e vc começa a entender eles e então vc passa a amar os personagens pq eles são muito reais, entende? Mas ai eu comecei a assistir a season 7.. Bom, na minha opinião ela estraga tudo oq era bom na série, todos os episódios são um monte de merdas acontecendo. Mas quando eu assisti aqueles dois ep chamados de FIRE, omg. Eu comecei a sentir muita dor no meu coração, eu pensava tipo assim: "isso é a vida, quando as coisas estão melhorando alguma coisa acontece" e eu perdi tudo oq eu estava trantando construir, toda a esperança de que a vida poderia ser melhor. Eu não sei como aquilo mudou tanto os meus sentimentos e esperança, mas eu estava deprimido, tudo que eu assitia, cada música que eu ouvia era tipo: bom, isso importa? Tudo isso importa? Algum dia será eu quem estará chorando "rios" por causa de algo que aconteceu e que é muito mais importante que Skins, então vale a pena estar vivo?" eu estava de novo no mesmo lugar de onde eu havia parado em 2018. Ainda em 2018 eu descobri que eu tinha fimose(talvez vc saiba oq é pelos meme do Orochi, Saiko.. Se não souber me fala que eu mando uma imagem daquelas de livro de ciência) e eu me lembro de pensar: "bom, eu não vou contar para ninguém sobre isso pq qual é o objetivo de fazer uma cirurgia só pra me matar nos próximos meses?". A vida continuou e tudo aquilo que eu falei no começo aconteceu(eu comecei a ouvir Led..). 26/03/2020 e eu estava na minha cama chorando pq eu havia feito a cirurgia, eu nunca pensei que estaria vivo para ver aqueles pontos, eu sempre pensei que estaria morto de OD(overdose) ou por suicídio, de alguma forma, eu não estava e então eu estava deitado na cama com a cirurgia já feita e eu pensei cmg que eu estava passando por algumas coisas novas e novas experiências na minha vida. Aquilo restaurou de novo minhas esperanças para o futuro(eu meio que estava chorando de alegria). Depois de tudo isso, eu decidi que eu iria colocar um propósito na minha vida, algo especial, entende? Então eu descidi que eu irei adotar uma criança(óbvio que não agora jshsh) eu tenho que estar vivo agora, pq tem uma criança "lá fora" que precisa de alguém, e talvez ele/ela está crescendo para se sentir como eu me senti, abondonado(minha mãe mora na mesma cidade que eu e eu amo ela, eu vou ver ela na casa dela, mas por volta de 2014 ela fingiu um suicídio para fugir com um cara que ela conheceu na internet, eu me lembro de pensar que eles iriam encontrar ela morta em algum lugar e ela, na verdade, estava em um ônibus indo para outro estado..). Desde que eu coloquei na minha cabeça que alguém que eu nem conheço ainda precisa de mim, eu percebi que ainda vale a pena viver, talvez não por mim mesmo as vezes mas para os outros, para as minhas amáveis três irmãs, pela aquelas crianças e até pela minha mãe que passou por tanta coisa para criar eu e minha irmã mais velha sozinha. Eu acho que a vida não sobre não estar triste ou deprimido, é sobre encontrar uma razão que faça valer a pena. Eu sinto que minha vida vai ser assim até o dia em que eu morrer e puder descansar em paz, mas até lá, eu vou sentir todas as dores que eu tiver que sentir e esses momentos irão fazer os momentos felizes ainda mais felizes, eu sei que em alguns momentos eu vou me sentir como agora que eu não consigo ver as coisas melhorarem, mas tudo pelo oq eu passei me ensinou que vai passar. Final: eu sinto muito se isso acabou ficando muito longo, eu não queria que fosse mas na vdd esse texto é um resumo do que eu queria dizer. Peço desculpas com qualquer erro de gramática, inglês não é minha língua principal. De um cara aleatório para todos vocês, almas adoráveis<3." Esse ai foi o texto, muito obrigado para vc que leu, tenha uma boa vida.
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2020.04.13 20:43 mkrtyy O que fazer com minha vida!? Continuar ou "parar" de vez!?

Será um texto BEM grande e, espero que consigam ler até o final.
Antes, preciso contar o que aconteceu comigo nesses últimos dois anos:
Em 2018 conheci uma garota pelo Facebook, da qual me apaixonei bem rápido e começamos a namorar com apenas uma semana de conversa(Um puta erro, eu sei). Tivemos 3/4 belos meses de namoro; eu perdi a minha virgindade com ela e, com o passar do tempo fomos tendo relações mais frequentemente e, todas sem proteção(mais um erro, eu sei). Lá para o 5° mês de namoro, ela me veio com uns papos de "querer ter um filho comigo", mesmo a gente sendo muito novos(Tínhamos ambos 15 anos na época), eu sempre tentava "resistir" quanto a isso e recusar, porém, com o passar do tempo ela começou a fazer várias chantagens emocionais para que eu aceitasse fazer aquilo. Eu era bem carente e me sentia sozinho, começou a vir os pensamentos que ela me deixaria caso eu ficasse recusando, foi nisso que cometi o maior erro da minha vida: eu "aceitei". Fizemos, e pra minha """surpresa""" realmente aconteceu dela engravidar(Avá). Me arrependia a cada dia mais, a ficha não caia de forma alguma. Com o passar do tempo nosso namoro foi se decaindo, eu não me sentia mais tão feliz ao lado dela, mas, não queria terminar por ser meu primeiro namoro sério e que havia citado tanto e, por ela estar grávida essa decisão pesava mais ainda.
Meu filho nasce, a essa altura eu já estava exausto de tudo que passava com ela, não me sentia mais feliz com aquilo, mas, mesmo assim continuava com ela.
Vamos chamá-la de Fabiana.
Fabiana e eu, por influência do meu pai começamos a morar juntos em uma casa de um parente meu que estava desocupada. Detalhe: eu e nem ela trabalhávamos mas mesmo assim decidimos morar juntos, com nosso filho também, é claro. 2018 se passou e isso tudo já ocorria em 2019.
2019 com certeza foi o pior ano da minha vida, resumido em cansaço físico e mental constantemente, não aguentava toda aquela situação em que eu passava todos os dias, toda aquela pressão familiar e da Fabiana para arrumar um emprego, toda aquela dificuldade que passávamos(eu tinha que ir todo santo dia na minha mãe pegar comida para nós comermos). Qualquer discussão, por quão pequena que fosse eu já sentia uma vontade enorme de chorar, minha cabeça já não aguentava mais. A vida foi perdendo a cor, eu sentia que não tinha mais sentido algum tentar ser feliz, o único caminho que eu poderia seguir era o da tristeza e amargura.
Na minha vida, eu conhecia uma outra garota antes da Fabiana, vamos chamá-la de "Ana". Ana e eu não tínhamos muito contato, ela era uma colega de classe minha, mas, que era uma pessoa que eu admirava muito e a achava muito linda. Eu sentia algo por Ana, porém, a minha insegurança quanto a minha pessoa era enorme, tanto que, decidi ignorar quaisquer sentimentos que eu sentia por ela e por esse motivo decidir começar meu namoro com a Fabiana.
Pois bem, no final de 2019 ainda com a Fabiana, começo a me lembrar da Ana e não tirar ela da cabeça 1 minutos sequer, isso me corroia por dentro a cada dia mais. As brigas já eram constantes e eu não aguentava mais a Fabiana, uma garota com um ciúmes fora do normal, que até mesmo ficava me dando tapas na cara por eu supostamente, de acordo com ela, olhar as garotas na rua quando saiamos juntos. Era horrível.
Finalmente chega 2020, eu já estava enlouquecendo com a Fabiana, depois de tantas discussões logo no começo do ano, brigas realmente MUITO feias e que todo mundo via, um "quebra pau" diariamente. Faço meus 17 este ano e é meu último ano na escola, Ana ainda estudava comigo, só haviam me mudado da sala dela, mas, ainda estudariamos no mesmo horário.
Em Janeiro mando uma mensagem a Ana, ela não responde(Ana namora, eu mando apenas um "Oi, tudo bem?" E coisas do tipo). No meio de Janeiro, incrivelmente Ana me manda uma mensagem, pergunto se ela está bem e ela diz que não, ela me diz o motivo: o namoro dela já não dá mais certo. Sinto um pouco de esperança nisso(KKK).
Dou meus conselhos de acordo com o que ela me diz(realmente estava uma merda o namoro dela e o melhor era terminar). Pois bem, ela termina o namoro e passamos a conversar frequentemente. Em Janeiro tentei me matar ao menos 4 vezes, por toda aquela pressão e cansaço que eu sofria com Fabiana. A última briga que tivemos foi bem feia, tanto que, deixo de morar com minha mãe para ir morar com minha irmã.
Hoje, eu e Fabiana temos uma "relação" maravilhosa, mas, admito ainda ficar mal com todo meu passado recente.
O motivo por eu ainda ficar assim: Eu e Ana ainda não podemos namorar e ficar juntos.
Minha mãe trabalha com a mãe dela e, a mãe dela sempre ouvia sobre meu antigo relacionamento(não preciso nem dizer que não eram coisas boas). Ela criou algo na cabeça dela(Mãe da Ana): Eu namorava uma LOUCA.
Mãe da Ana não aceita que a filha dela namore comigo, por medo da minha Ex(Fabiana). Tem a questão de eu ter um filho ao 17 também, o que a deixa com um pé atrás também, e que, já fez a Ana ouvir coisas do tipo: "Você vai assumir o filho dele?" E blablablá.
Ana, tem MUITO medo aparentemente de seus pais, quer sempre a aceitação deles, pelo o que ela disse a mim. Ela decide "esconder" a gente por um tempo dos pais dela e, contar "na hora certa".
Hoje, me sinto com um medo enorme de, talvez não ficar com Ana e me afundar mais ainda, pela questão de "não superar" esse meu passado recente e traumático. Acho que não consigo mais ficar sozinho, não conseguiria mais seguir em frente.
Bom, fui ao psiquiatra, me passaram dois remédios: Um para depressão e outro Ansiedade, marcaram terapia com o Psicológico(Que não estou indo por conta do Corona).
Só queria palavras de apoio, para tentar seguir em frente com a Ana e vencer quaisquer eventos ruins que possam acontecer mesmo.
Ultimamente me sinto numa Ansiedade enorme, ando sempre estressado e sem rumo. Dicas de como controlar toda essa Ansiedade seriam muito bem vindas.
Agradeço muito a quem leu até o final, espero que sejam todos muito felizes e que, nunca passem pelo o que eu passei. O que mais fica em mim hoje é o arrependimento de muitas das minhas atitudes do passado.
Algumas coisas a esclarecer:
Ana admite também sentir interesse em mim, desde antes de tudo isso, eu apenas fui tolo e inseguro para não me abrir com ela naquele tempo.
Não culpo meu filho por nada do que aconteceu, pelo contrário: eu o amo e coloco ele a frente de tudo atualmente.
(CASO EU ESQUEÇA DE ALGO FAÇO UM EDIT)
P.s: se houver algo que não está claro para vocês, digam que eu esclarecerei.
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2020.02.05 05:23 uselessSuicidal suicidio inevitável

já pensei muito nisso, e já chegou a um ponto que eu tenho que partir, eu queria perdão das pessoas que eu sei que não apoiam isso, ninguém apoia, nem eu, mas eu já to decidido, eu to executando um plano que já postei aqui no reddit, e já me afastei de muita gente, e o único motivo que eu tinha pra continuar vivo não me quer mais, então, naõ tem por que ficar aqui. amo todos os meus amigos, meus pais, e a k, mas, cansei de ser um peso, acho que, pior que um peso morto, é um peso vivo, e eu sou um, agora podem seguir a vida sem mim, sem meus problemas, meus gastos, minhas necessidades insignificantes, sem mim vai ser mais fácil seguir, com menos uma grande preocupação a menos, basicamente eu não passo de uma preocupação para as pessoas. então, fiquem, cuidem do woody e da lina pra mim, espero que meus pais se divirtam bastante, e que minha irmã continue empenha na sua carreira, ela vai longe. k, siga sua vida como você sempre desejou e não desista dos seus sonhos, vai dar tudo certo. aos meus amigos, eu deixo um grande obrigado por tudo, vocês são incríveis.

"
nascido em 15 de junho de 1998. rip: ?
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2019.04.23 07:40 Samuel_Skrzybski STEEL HEARTS - PRÓLOGO

Uma nota pré-texto, apenas para situar melhor o leitor: na primeira parte do prólogo, que começa em "Em um dia, ele acordou diferente do seu jeito de sempre acordar", o personagem em questão é o nosso protagonista, Saravåj. Já na segunda parte, que começa a partir de "Em um dia, ele acordou como sempre costumava acordar", o personagem muda e passa a ser o rei da Pasárgada, Matiza Perrier. O prólogo é um contraponto entre os dois, embora o faça sem citar nomes. E se você não entendeu nada a respeito do que eu falei até aqui: dá uma olhada na introdução de Steel Hearts, se quiser, que tá linkada ai em cima.
Enfim, boa leitura! :)
[EDIT: Eu usei o underline para iniciar os diálogos porque o Reddit reconhece o travessão como marcador de tópico.]
Em um dia, ele acordou diferente do seu jeito de sempre acordar.
Ele sentiu a luz do sol em seu rosto, anunciando que a escuridão da noite já havia passado e que o céu era claro mais uma vez. Os seus sentidos despertaram pouco a pouco, como os de quem acorda de um coma após uma década de inatividade. Em um suspiro profundo, pôde sentir o odor de móveis velhos daquele quartinho arranjado e exíguo, mas inegavelmente organizado com maestria milimétrica em cada mínimo detalhe por ele próprio. Confirmou para si mesmo que estava, de fato, vivo.
Vagarosamente, os seus olhos também ganharam vida. Assim que o seu par de olhos se abriu pela primeira vez naquele dia, sua íris castanho-claro focou, sem se mexer um milímetro para a direita, sem se deslocar um milímetro para a esquerda, em uma tábua que estava fora do lugar no teto de madeira bege-clara de seu cubículo. Lhe incomodava demasiadamente aquela quebra abrupta no padrão de tábuas alinhadas e retilíneas. Namorou aquele lasco de madeira solto durante infinitos minutos. À essa altura, seu mecanismo interno também começou a funcionar e debutou a processar informações.
Ele planejou mil e uma formas de solucionar este problema que tanto lhe afligia, com a pia e ridícula convicção de que, quando tornasse àquele mesmo panorama quando o breu noturno caísse novamente, aquela tábua defeituosa continuaria ali, sem sequer ser tocada por um dedo que fosse. Talvez por cansaço físico e mental dele. Talvez por sua própria incapacidade de tecer um projeto suficientemente perfeito para dirimir o que lhe amorfidava. Ou, talvez, por não ser nada além de uma tábua antiga e quebrada. Até que, por fim, ele se concentrou exclusivamente no melódico canto dos pássaros que vinha do lado de fora. Dos presentes da natureza que ele recebia por morar naquele recinto, sem dúvida, a música dos pardais era o mais belo e mais agradável de todos.
Por todos os deuses e deusas do cosmo! Os pássaros! Os pardais-espanhóis!
Ele se levantou violentamente, repelindo para longe a sua coberta, o seu travesseiro e todo empecilho que estivesse em seu caminho, como se estivesse no ápice de sua energia diária, e se colocou, em questão de segundos, na frente da imensa janela de vidro que se localizava estrategicamente na dianteira de sua cama.
Esfregou os olhos. Depois os arregalou. Repetiu o processo algumas vezes.
Quem se colocava, como ele, à frente daquela majestosa janela, tinha uma visão privilegiada de uma enorme figueira que existia naquele vilarejo. Chamava a atenção, ao primeiro olhar, pelo tamanho. Não poderia ser diferente. Aquela árvore era um verdadeiro gigante. Ao mesmo tempo, era uma figueira muito velha, é verdade. Já deveria estar gozando da terceira fase de sua vida. De seus dois mil anos, no mínimo. Seus galhos já eram totalmente retorcidos. Sua raíz era grossa e invadia o solo que lhe rodeava, como um monstro botânico que tenta alcançar a superfície. Contudo, em contraponto, as suas folhas reluziam a vida. Todas elas. O pigmento verde-esmeralda destas era o mesmo de uma plantinha que acabara de desabrochar. Todo o seu caule era consistente e forte, sustentando com exuberância todos os seus inúmeros galhos. Seria uma calúnia atroz afirmar que, mesmo que de muito longe, se tratava de um mero agigantado pedaço de madeira oco e sem vida. Nos pés do caule da monumental figueira, existia uma pequena placa pregada junto à árvore, também de madeira, mas em tom muito mais claro. Nela, lia-se a frase em latim "Hic insignis femina forti ager deambulavit in terra" em letras garrafais, mas visivelmente pintadas com uma tinta branca ralé e desbotada, tornando as inscrições apagadas pelo efeito do tempo praticamente ilegíveis.
Todavia, ele não estava lá para endeusar aquela dádiva da mãe-natureza. Os seus olhos tinham outro eixo. Naquela árvore, muito além da fitologia e de toda tonalidade verde-vivo que lhe envolvia, existia uma verdadeira sociedade de pardais-espanhóis. Haviam vinte ou trinta famílias de pardais que levavam suas vidas nos galhos daquela grandiosa figueira já há anos. Todos eles, passarinhos miúdos, ariscos e ligeiros, características naturais de sua espécie, que levavam em suas penas tons que variavam de marrom-escuro até colorações mais acinzentadas.
Na árvore, se organizavam como se houvesse um contrato social entre eles. Como se os pardais fossem, de fato, seres pensantes, dotados de raciocínio lógico e com a capacidade de agruparem-se em um meio social concreto, previamente definido por regras a serem seguidas por todos. A figueira era a estalagem. Cada galho, uma residência. Não haviam duas ou mais famílias de pardais por galho. Em todos os ramalhos que se fragmentavam do caule, existia somente um ninho de pardal-espanhol, como se todos eles concordassem que aquele era o número ideal de famílias por galho. No raiar do dia, os pássaros se agitavam, aforando os ouvidos de quem quisesse ouvir com a sua graciosa música inerente. Neste átimo, o pássaro-mor de cada ninho voava pelo horizonte, em busca do sustento de sua parentela. E ao final do entardecer, retornava ao seu lar, socializando com os seus os ganhos do dia. Desta forma, aquele agrupamento de pardais engrenava. E só seria uma indiscutível violação de juramento afirmar que a subsistência dos pardais-espanhóis na figueira era, efetivamente, próspera, por efeito do vilão da estalagem. Um abutre.
De corpo robusto e de asas de envergadura majestosa, tinha dez, vinte, trinta, quarenta, cinquenta vezes o tamanho de qualquer pardal-espanhol. Era um autêntico ogro ao lado de um pardalzinho. E, ao contrário da prevalência dos membros de sua espécie, não era de aparência macabra. A plumagem de seu tronco era marrom-clara, como a das águias. E a sua coroa não era pelada, como a maioria dos abutres, que mais se assemelhavam a um morto-vivo do que a uma ave. Continha penas brancas como a neve em seu crânio. Também tinha em seu arsenal de combate garras afiadas como agulha de alfaiate, um bico longo e pontudo e um olhar que imporia pavor até mesmo em um Argentavis. O abutre lembrava muito mais uma ave de rapina do que um urubu. Localizava-se sempre no ponto mais alto da figueira, como a estrela de Belém em uma árvore natalina.
O abutre, sem dúvidas, era o amo daquela sociedade. O dono. O rei. Todos os pardais-espanhóis se viam fracos e indefesos diante de uma ave tão superior em tamanho e em força e se curvavam diante do abutre, ainda que mordendo a língua de desgosto. De todos os pássaros da figueira, o abutre era o único que não se aventurava no mundo além daquela lendária árvore em busca da sobrevivência diária. Muito pelo contrário: agia como um cobrador. Durante todo nascer do sol, sem feriado nem dia santo, o abutre voava de galho em galho, de residência em residência, de família de pardalzinho em família de pardalzinho, tomando para si uma parcela das sementes, grãos, cereais e pedaços de legumes que as famílias de pardal haviam faturado no dia anterior. Na maioria das vezes, era a metade. Por algumas vezes, entretanto, o abutre não fazia economias e se apoderava de mais - e muito mais - da metade dos alimentos de um ou outro ninho de pardal-espanhol, deixando estes reféns de sua própria sorte, suplicando aos deuses para que naquele dia o saldo alimentício do chefe da família fosse dobrado. Em troca desta colaboração forçada, os pardais-espanhóis não recebiam absolutamente nada. Nem proteção do abutre. Nem nada que dependa da solicitude do malévolo pássaro-rei. Não era justo. Mas "realidade" e "justiça" são palavras que raramente caminham de mãos dadas. O medo que os frágeis pardais tinham do abutre, tão corpulento, tão vasto, tão amedrontador, impedia-os de organizar uma revolta contra aquele pássaro das trevas. Era parte da rotina ceder metade dos seus lucros, sem mais nem menos, ao seu próprio carrasco.
E assim a sociedade de pássaros que vivia naquela louvável e anciã figueira funcionou durante muito tempo.
Até aquele dia.
Naquela manhã, tudo foi diferente.
O abutre deu início à arrecadação do alquilé dos pardais, como o de costume. Até que, após confiscar para si alguns pequenos grãos e sementes sem imprevistos, voejou até um galho que se localizava em um dos pontos mais altos do lado esquerdo da figueira.
Ali residia um pardal-espanhol solitário. Não tinha família. Morava sozinho em seu ninho. Era tão pequenino e franzino como os outros. Carregava em seu corpo penas marrom-claro, quase que idênticas às do abutre. Também tinha uma listra branca que corria por todo o seu corpo, o que lhe diferia dos demais. Ela tinha início na parte inferior de seu olho direito e só encontrava fim quando terminava o torso do pardal.
Naquela manhã, ele resistiu. Se apresentou à frente do abutre, que era um genuíno arranha-céu em frente ao passarinho, como quem se recusa a cumprir uma ordem e desafia o seu algoz. O abutre estufou o peito, na tentativa de intimidar o pardal-espanhol revoltoso. Em vão.
Antes que o abutre pudesse adotar qualquer segunda atitude visando espantar o seu adversário, o pardalzinho o atacou, em um movimento precípite e, acima de tudo, inesperado. O abutre foi lançado para fora do galho pela força da velocidade que o pardal imprimiu e os dois pássaros passaram a brigar no ar. No combate corpo a corpo, o pardal-espanhol compensava a ausência de força com uma agilidade que o abutre não conseguia acompanhar. O abutre se tornara incapaz de usar o seu tamanho e a sua robustez avantajada à seu favor. O inverso aconteceu: a grandeza física do abutre fazia com que ele fosse um alvo fácil de ser atingido por seu rival. A força, meio que o abutre usou para ser condecorado o pássaro-mor hegemônico daquela figueira durante tanto tempo, trazia junto de si a lentidão, o que fazia com que aquela ave, antes tão temida e respeitada por seus subordinados, não conseguisse inibir as investidas do nanico e veloz pardal-espanhol. O pardal nocauteava o abutre várias e várias vezes, mudando de uma direção para outra como uma flecha, antecipando os movimentos tardios de seu inimigo. O contrário não acontecia. Naquele instante, o abutre servia somente de saco de pancadas para o pardal.
A ameaça que a revolta daquele heróico pardal-espanhol representava à soberania do abutre serviu de gatilho para muitos outros pássaros residentes da figueira, também descontentes com a iniquidade daquela dura submissão, que deixaram os seus ninhos para também golpear e bicar o abutre simultaneamente. Em pouco tempo, mais da metade da sociedade de pardais-espanhóis estava ali, lutando por sua plena liberdade. O abutre tentava se defender do bando como podia. Se contorcia, esticando as suas garras freneticamente para todas as direções até o limite de sua flexibilidade, na tentativa de abater um ou outro pardal. Se já era árduo para ele engalfinhar-se com um pardal-espanhol só, guerrear contra um bando inteiro tornava-se insustentável. O abutre debatia-se em gemidos escandalosos de dor, na risível esperança de enxotar todos aqueles incontáveis pássaros para longe de si.
Até que, de tanto que insistiu e esperneou, o carrasco conseguiu prender um de seus êmulos em uma de suas garras - a esquerda. Aquele pardalzinho foi, instantaneamente, neutralizado. As unhas pontudas do abutre, que mais pareciam pequenos punhais, atravessaram a plumagem marrom-clara daquele pequeno pássaro sem lástima nenhuma, perfurando-o exatamente no centro da extensa listra branca que se avultava por todo o seu corpo, peculiaridade que lhe diferenciava de todos os outros pardais. Era ele. O pardal-espanhol rebelde. O motor daquela rebelião. O patrono dos pardais-espanhóis malcontentes com as injustiças cotidianas daquela estalagem. Aquele - o único! - que aceitou com prontidão o perigoso jogo de confrontar o temeroso abutre. Justamente ele, entre as dezenas de pássaros. O destino, perpetuamente muito irônico, pôs-se a rir da infeliz coincidência. O pardalzinho revolucionário era, de modo inegável, muito astuto. Mas nem que tivesse o quádruplo de sua resistência física, seria capaz de sobreviver estando entre as implacáveis garras cortantes do abutre. Ele não teve sequer a chance de lutar por sua supervivência. Os seus órgãos internos foram espremidos. A morte foi instantânea. O cadáver, sem embargo, continuou nos gatázios do abutre, como se fosse um troféu - ou prêmio de consolação - para o impiedoso pássaro-rei.
Os demais pássaros revoltosos, à exemplo de seu recém-falecido condutor, seguiram a bicar o abutre, com cada vez mais violência, como se não fossem meros passarinhos tênues e mansos. Mais pareciam, naquela rebelião, verdadeiros animais selvagens. O bando de pardais-espanhóis era uma máquina de guerra, pronta para esquartejar o seu inimigo a qualquer instante. Era questão de tempo até que o abutre tivesse o mesmo trágico fim do pardal causador de toda aquela anarquia necessária. Do pardalzinho que ele acabara de tirar a vida friamente. O destino, por sua vez, não tardou muito. O abutre já mal tinha forças para para estrebuchar, reconhecendo pouco a pouco o seu melancólico e penoso porvir. E este não podia sequer pleitear a vida por suas habituais injustiças. Todo aquele sofrimento do abutre era íntegro. Merecido. Conveniente. Depois de tanto atazanar os pardais daquela figueira, era a hora do acerto de contas.
Em um movimento descontrolado, um dos pardais-espanhóis mais exaltados em meio àquela calorosa confusão bicou o comprido pescoço do abutre ferozmente, estourando com retidão cirúrgica sua veia jugular. O golpe foi fatal. Morte instantânea. A morte, inegavelmente, é juiz. Se a vida, por muitas vezes, favorece aos maliciosos, a morte, sui generis, jamais falha. Pune a todos, sem distinguir. Um jato de sangue arroxeado jorrou da goela do abutre, manchando com aquela seiva honrosa boa parte dos pardais que estavam em torno do pássaro sucumbido quando a bicada da vitória foi desferida. A revolução dos pardais estava completa. Não havia mais carrasco. Não havia mais verdugo. Não havia mais medo, nem aluguel. Enfim, o abutre libertou o corpo sem vida do passarinho revoltoso de suas garras e, simbolicamente, todos os pardais que integravam aquela sociedade.
O monumental corpo ensanguentado do abutre e o defunto esmagado do pardal-espanhol rebelde caíram lentamente pelo ar, lado a lado. E tocaram o chão exatamente no mesmo instante, fazendo valer, mais uma vez, uma velha máxime da vida: quando o jogo acaba, todas as peças, por mais diferentes que sejam entre si, voltam para a mesma caixa, sem se queixar.
Ele assistiu tudo de camarote.
"É tão estranho. Os bons morrem antes", ele pensou consigo mesmo.
Ele, então, voltou-se para a sua cama. Deu meia-volta, despiu-se dos trapos velhos que usava para dormir e vestiu o seu traje de batalha mais nobre, que levava uma enorme capa vermelho-vinho às costas, que recaía por quase toda sua armadura de ferro medieval, a qual ele também envergou. Sentiu-se, como sempre, mais são portando aquela farda solene. Olhou por intensos segundos para o seu próprio reflexo no espelho que havia em frente à cabeceira, com um ar aristocrata de confiança. Apoderou-se, ademais, de duas espadas que estavam encostadas no pé dianteiro de sua cama. Uma banhada à prata e outra banhada à bronze, tinham a estatura, à grosso modo, moderadamente menor do que uma vassoura comum. De lâmina mais fina e de peso mais leve em comparação com as espadas universais dos templários, colocou suas duas gládias nas bainhas que também carregava em suas costas. Por fim, deixou o seu quartinho amanhado, organizado como nunca, exceto pela tábua desprendida no teto de seu cubículo - aquela amaldiçoada tábua! - fechando a porta amadeirada deste para jamais tornar a abri-la.
O vento, enfim, soprava à seu favor: era tempo de ressureição.
Em um dia, ele acordou como sempre costumava acordar.
De ressaca. Sentia em seu crânio pontadas de dor, que iam e vinham. O cenário ao seu redor denunciava o motivo de seu mal-estar: infinitas garrafas de vinho e de licor vazias em torno dele, além de incontáveis taças douradas, também vazias ou consumidas somente até a metade. Ele despertou em um magnificente trono real dourado, produzido tendo o ouro puro como sua matéria-prima e decorado com jóias preciosas, coloridas e resplandecentes - havia tido o seu sono ali naquela madrugada, sentado. Aquele trono dourado era o ponto mais alto daquele salão. Tanto que, era preciso subir alguns degraus para chegar até ele - não por acaso. A ideia era, de fato, representar o ápice da soberania que um mortal poderia desfrutar. O lugar mais alto que alguém poderia ocupar na pirâmide social.
Ele, com os olhos entreabertos e com os movimentos anormalmente vagarosos, aparentando ainda estar um pouco ébrio, começou a esparramar com as mãos as cartas de baralho que estavam no braço direito do trono real, deixando com que algumas caíssem ao chão. As cartas, espalhadas por todo salão real, retratavam as várias e várias jogatinas e capotes da madrugada anterior, os quais ele mesmo fomentou. Ele havia patrocinado uma farra regada à bebidas alcoólicas caras na madrugada daquele dia, junto de seus companheiros mais íntimos. Por mais uma vez. Os eventos alcoólatras apadrinhados por ele eram corriqueiros, praticamente diários.
Ele seguia espalhando as cartas do baralho, até que uma lhe chamou a atenção. Era um rei. Um rei de espadas. Não era o roupão vermelho do rei, fragmentado em mandalas, que lhe atraía. Muito menos as espadas coloridas que ele segurava em cada uma das mãos. Nem o bigode, nem o cabelo, nem a coroa. O olhar. Os olhos daquele rei eram diferentes dos demais. Eram intimidadores. Transbordavam malícia e davam um sentido maquiavélico àquela carta. De todos os reis do baralho, aquele, sem dúvidas, era o mais perspicaz. O que tinha a maior agudeza de espírito. O mais astuto, talentoso, inteligente e toda e qualquer palavra que remete a um privilegiado intelecto ardil. Ele pegou a carta em suas mãos e apreciou-a por alguns instantes, rindo. Até que, levou o rei de espadas até o braço esquerdo do trono do rei, onde havia uma taça de ouro da noite anterior, cheia de vinho até a metade. E então, mergulhou a carta no vinho, por diversas vezes, repetidamente.
_ Beba, reizinho. Beba. Que, por hora, é o melhor que se faz. O álcool foi inventado pelo homem para suprimir o tédio diário, você sabe bem. As mulheres também vão te distrair com seus corpos, se você assim quiser. Mulheres e bebidas. É por isso que a nossa passagem terrena vale a pena, não? Beber para as mulheres. Beber por causa de mulheres. Beber junto das mulheres. Afinal de contas, o mundo está de braços abertos para te servir. Os miseráveis tem a honra de dividir uma geração contigo, alguém tão genial, tão brilhante, tão divino. É dever deles a solicitude para com você, não acha? Grandes conquistas virão, reizinho. Muito maiores do que qualquer ratazana européia um dia já pôde imaginar. Mas enquanto as glórias ainda não se concretizam, beba. Somente beba. Até desaparecer-lhe o fígado.
Uma voz juvenil, neste momento, cessou o seu delírio abruptamente.
_ Meu rei! Mil perdões por interromper-lhe!
Era um jovem e raquítico soldado. Parecia nervoso por estar em presença de alguém tão importante. Tinha como suas vestes o uniforme-modelo dos cavaleiros da Ordem do Templo, utilizado nas cruzadas do século anterior. Todavia, distinguia-se destes pela tonalidade azul-marinho substituindo a vermelho-sangue e por conter um brasão com a letra "P" no lado esquerdo do peito de sua armadura.
_ Já interrompeu, ora! Por que me solicita o perdão, asno?
_ Então perdoa-me por lhe solicitar o perdão, meu rei, se isto ameniza o meu deslize. Vim somente lhe transmitir um recado da rainha. Ela me pediu para vir lembrar-lhe que está quase na hora de discursar para o povo. A rainha e os membros da elite já estão na sacada do castelo. Sua louvável presença é a única que falta para o início do discurso real.
_ Ah! Claro! Já havia me esquecido. A ressaca me veio mais forte do que o habitual nesta manhã. E se não estivesse tão em cima do horário, queria embriagar-me antes do enunciado. Você já imaginou? Tente imaginar, se o seu retardado intelecto não te impedir. Discursar completamente bêbado! O povo, sem dúvidas, acharia fantástico! O que achas, capacho? Dê-me sua opinião, por mais desprezível que seja.
Enquanto falava, ele levantou-se e desceu os degraus do trono real com dificuldade, cambaleando.
_ É... Seria memoroso! Com toda a certeza!
_ És um bom rapaz, soldadinho. Você é dos meus, eu tinha a pia convicção! Inclusive, acho que a sua figura é a que falta para completar nossas diversões alcoólicas que ocorrem depois do último badalar do sino. O que me diz, meu companheiro? Licor e vinho à vontade depois do horário dos mortos! Está de acordo?
_ Verdadeiramente, meu rei?
O soldado recém-formado olhou para ele com o olhar mais inocente que se pode imaginar.
_ É claro que não, capacho! Onde já se viu? Uma barata do exército imperial feito você em meio aos mais finos nobres! Tira-te as patas do meu salão real, imbecil!
O soldado saiu imediatamente da sala privada do rei, trêmulo. Ele, em todo o tempo com um largo sorriso no rosto, gargalhou de suas próprias anedotas. Ainda assim, a informação que o seu subordinado lhe transmitiu estava correta. Faltavam poucos minutos para o discurso semanal do rei para os seus populares. Era mais um domingo gelado de inverno. Ele seguiu pelos cômodos e corredores do Castelo de Woodyard. Conforme caminhava, escutava um coro uníssono, em êxtase, que se tornava mais forte conforme ele se aproximava da sacada do castelo.
_ Vida longa ao rei! Vida longa ao rei! Vida longa ao rei!
Ele, enfim, chegou até a sacada. O povo ali presente, em frente ao castelo, engrossou ainda mais o hino quando o viu. Com os braços abertos, de aparência amigável e singela, ela acenou para o povo que estava abaixo, como sempre. A rainha, idem, estava ali, sempre à sua direita, ora envolvida pelos braços dele, ora também saudando o público.
_ Bebi o dobro do que você bebeu nesta madrugada, meu amor. E despertei três horas antes de ti. Cômico, não acha?
_ A força feminina! É o que nos mantém no poder!
Sua esposa era uma mulher de quase trinta anos de idade. Os efeitos do tempo, entretanto, inegavelmente eram muito gentis com ela. Aparentava ser dez anos mais jovem. A rainha chamava a atenção, sem sombra de dúvidas, pela beleza física: mulher de corpo esbelto, e de rosto tão atraente quanto.
Ele, enfim, deu início ao pronunciamento real. De cunho populista e com muita convicção em toda frase que proferia, ele exaltou a laicidade de sua monarquia. Alegou que não admitiria, nem por cima do seu cadáver, que a coroa compartilhasse o governo com o Papa. Como o de costume, apontou o dedo para a Igreja Católica, condenando-a pelo massacre estúpido daqueles que ela julgava como infiéis. Posteriormente, reiterou o seu compromisso com as camadas mais baixas da sociedade. Se auto-intitulou como o pai dos pobres. Alegou que reduziria o preço do trigo pela metade. E ganhou ainda mais a simpatia de seus ouvintes quando comunicou que distribuiria pães de forma gratuita em alguns pontos dos vilarejos de seu reino, garantindo o direito básico da alimentação para todos e todas. Penhorou, também, que os soldados, tanto os da elite quanto os do império, seriam valorizados e teriam a sua dignidade garantida. Afinal, segundo ele, na sua visão de governabilidade não existiam reis e capachos. Existiam seres humanos buscando um bem comum. E, finalmente, levantou a sua principal bandeira: garantiu que, enquanto ele tivesse a coroa sobre a sua cabeça, homens e mulheres seriam iguais. Os mesmos direitos. As mesmas funções. Os mesmos papéis na sociedade. Exaltou com as mais fascinantes palavras o arquétipo da mulher independente e empoderada. Discorsou primorosamente durante quase trinta minutos sobre a suma importância da equidade dos sexos em um meio social evoluído.
O povo foi ao delírio, como já era costumeiro no pós-dicurso do rei. O barulho era ensurdecedor. Toda gente gritava o seu nome à todo pulmão, confiando cegamente na benevolência de seu líder. Ele era uma unanimidade entre o povo. Não havia uma alma viva que abrisse a boca para reclamar de sua forma de reinar. De suas ideologias modernas. Era um verdadeiro rei hegemônico. O mais perto que se havia de Deus em solo terreno. Ele, por sua vez, sequer lembrava do que havia dito em seu discurso alguns minutos antes. Sua cabeça estava em outro lugar. Nas nuvens. Só conseguia pensar nas fartas moedas da corrupção caindo sobre suas mãos - que financiavam esbórnias, orgias, bebedeiras e afins suas, da rainha e de seus aliados mais próximos - e no futuro promissor de seu império populista, que em um dia não tão distante haveria de se expandir para os quatro cantos da Europa, em um reinado jamais visto antes na história da humanidade.
Assim que terminou o seu enunciado ao público, em meio aos berros que manifestavam apoio ao seu reinado, ele arregaçou a sua manga esquerda, revelando o mesmo o rei de espadas de outrora, a mesma carta que ele havia embebido no vinho. Ele havia a escondido em seu uniforme imperial quando saiu do salão real.
_ Vês isso, reizinho? Isso não é nada. É um grão de areia perto do império gigantesco que Júpiter te reserva. Terá o mundo aos seus pés, é inevitável. A ordem cósmica quis assim. As próximas maltas vão aprender sobre o seu nome. Sobre tudo que te envolve. E até sobre o seu sabor de licor preferido. E você? Você só deve saber o seu próprio nome. É o que mais importa. Reizinho, é assim que gira o ciclo da vida: manda quem pode, obedece quem tem juízo. E eles tem. Você vê cada vez mais de perto que tem. O universo deve respeito por aquele que já nasceu abençoado. E ninguém vai ser capaz de te impedir, reizinho. Ninguém. Nem mesmo Deus.
Obrigado por ler e aguardo ansiosamente pelo feedback! :)
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2019.04.20 23:39 Samuel_Skrzybski STEEL HEARTS - INTRODUÇÃO (PARTE 1)

Infelizmente, eu já vi que o sub de escritores brazucas não é lá muito populoso. Eu não sei se um dia alguém vai chegar a ler a introdução da minha narrativa, mas se você está aqui, lendo a minha nota pré-texto, eu peço humildemente o seu feedback. No meu círculo social, rigorosamente NINGUÉM tem tempo e paciência para ler tudo e me dizer o que achou - e eu entendo perfeitamente kkkkkk. E, se me permite um segundo pedido: se for me dar um toque, seja na gramática, seja na minha forma de decorrer a história, faça críticas construtivas, por favor.
E sobre a introdução: se um dia a minha história porventura se tornar um livro - e eu não faço nenhuma questão que isso aconteça - ele se iniciaria após todos os fatos que eu vou narrar abaixo - e estes fatos iriam se revelando no decorrer dos capítulos. Essa introdução tem o único e exclusivo objetivo de dar um entendimento melhor ao leitor atual - você! - sobre o "universo Steel Hearts": contexto histórico da trama, histórico das personagens, eventos que moldam a narrativa e afins. Em um eventual livro, essa introdução seria inexistente e ele se iniciaria no prólogo - o qual eu já escrevi e vou postar aqui também, ainda hoje ou amanhã. E até o momento atual, o prólogo é onde a minha história está empacada :{
Enfim, sem mais delongas: boa leitura! :)
[EDIT: Eu vou ter que dividir a introdução em duas partes, para conseguir postar - eu não sabia que o Reddit tinha um limite de caracteres. Eu vou postar a Parte 1 agora e a Parte 2 eu posto em alguns minutos, logo na sequência.]
Cronologicamente, a trama se inicia em 1412.
Dois jovens oficiais do Reino da Catalunha se perdem no interior de uma floresta de mata densa em uma patrulha rotineira e descobrem uma reserva imensa de ferro, cobre e bronze no interior de uma caverna - esta, batizada de Madriguera de Sán José. Todos estes citados, minérios primordiais para a construção de equipamentos de combate e, no auge da Idade Média, eram de extremo valor. Após apurações mais profundas, foi descoberto que a reserva era muito maior do que se imaginava e se estendia por todo um território, conhecido como Península de Acqualuza. Naturalmente, os olhos de toda a Europa Medieval se voltaram para as terras de Acqualuza, que era território da Catalunha - região onde atualmente se localiza a Espanha - por direito, comandada desde 1383 pelo rei Carlos Villar. O que antes era só mais um pedaço de terra passou a ser visto por Carlos Villar como um trunfo para instalar o seu reinado como a maior potência militar e econômica da Europa e, por tabela, do mundo.
Entretanto, alguns anos mais tarde, o rei da Catalunha foi assassinado por sua própria filha primogênita, Alice Azcabaz Villar, movida pela ganância e pelo poder. Após assumir o trono em 1414, Alice, sem nenhuma experiência como governanta em seus 19 anos recém-formados e se vendo incapaz de colocar ordem em um reino inteiro sozinha, firmou uma aliança com a família Winchestter, uma tradicional linhagem nobre da Inglaterra, que se instalou na Península de Acqualuza e passou a governar a mesma.
É importante ressaltar que Acqualuza não se resumia apenas a ferro, cobre e bronze. Existia um povo vivendo naquela região. Uma civilização. Pessoas que se instalaram naquele lugar por gerações, muito antes de descobrirem que a península, na verdade, era uma verdadeira "galinha dos ovos de ouro". Os Winchestter foram protagonistas de um governo totalmente corrupto, que durou dois anos. Exportaram minérios, espadas, lanças, escudos, armaduras e afins da mais alta qualidade para os quatro cantos da Europa e enriqueceram de uma maneira rápida e efetiva. Mas, em contrapartida, o povo de Acqualuza vivia na miséria, na pior crise socioeconômica de sua história. A verdade é que a família Winchestter, juntamente de Alice Azcabaz, visavam somente os seus interesses pessoais. Enquanto a fortuna pessoal dos Winchestter decolava, a Península de Acqualuza entrava em rota de colisão, mergulhada na pobreza extrema. Os cidadãos acqualuzenses viravam quarteirões e quarteirões em filas intermináveis para a distribuição gratuita de pães velhos e mofados, para que não simplesmente morressem de fome. E por mais que a educação, saúde, segurança e desenvolvimento social da região fossem precários, o povo parecia anestesiado. Como se estivesse tão fraco e oprimido que sequer conseguisse levantar a voz para questionar os seus governantes.
Era nítido que o governo acqualuzense era instável, o que chamou a atenção dos ingleses. Talvez a maior potência econômica e militar da Europa no momento, a Inglaterra, conduzida por seu renomado exército imperial e pelo jovem e controverso rei Sabino III, estudava maneiras de depor o governo dos Winchestter e tomar as ricas terras de Acqualuza para si - o que soava como justo para os ingleses, afinal, os atuais governantes do território acqualuzense eram dos seus. A carta na manga dos ingleses era o povo de Acqualuza e as condições desumanas nas quais estes viviam. A estratégia, inicialmente, era enviar soldados ingleses travestidos de cidadãos acqualuzenses para o território dominado pelos Winchestter e forçar uma revolta contra o governo vigente. Os forasteiros organizaram tumultos, passeatas e até fizeram ameaças aos nobres, em uma tentativa de fazer o próprio povo fazer o trabalho sujo de derrubar os monarcas do poder por eles, evitando um ataque direto e um consequente e nefasto atrito entre Inglaterra e Catalunha, com quem mantinham uma cordial relação diplomática. Os cidadãos da península até esboçaram uma reação com os primeiros protestos, mas logo adormeceram novamente. Vendo o comodismo que o governo imoral da família Winchestter instalou nas terras de Acqualuza, Sabino III optou por uma solução mais radical: a criação da CAJA.
A CAJA nada mais era do que uma organização secreta, patrocinada pelo governo da Inglaterra e composta por militares do mais alto escalão do Exército Nobre Inglês e por assassinos de aluguel de elite. O objetivo? A princípio era, durante uma noite, impedir que os postes de lamparinas a óleo vegetal fossem acesos na Península de Acqualuza. E assim, na escuridão total, um pelotão seria responsável por invadir, saquear e depredar o castelo dos Winchestter e outro grupo realizaria a maior chacina já vista na Europa Medieval: estes invadiriam casas de cidadãos comuns e matariam a sangue frio qualquer ser vivo que encontrassem pela frente. E, como cereja do bolo, deixariam os corpos ensanguentados expostos nas ruas de Acqualuza para que todos os sobreviventes se deparassem com a tragédia ao nascer do sol. Um mar de sangue inocente que os ingleses julgavam como necessário: com a carnificina, a Inglaterra esperava que o traumático choque de realidade mostrasse ao povo acqualuzense de uma vez por todas que os Winchestter eram incapazes de proteger, tanto os cidadãos, quanto a eles próprios, e enfim compreender todas as consequências da péssima administração dos nobres ingleses em suas terras. A matança tinha data e hora para acontecer: 10 de Novembro de 1415, a partir das 18h30.
E neste contexto, somos apresentados a Constantin Saravåj Mandragora - ou simplesmente Saravåj. Nascido na Iugoslávia, na região dos Bálcãs e a 1200 km de Londres, era filho de uma família de camponeses extremamente pobre e sem perspectiva nenhuma de ter uma qualidade de vida minimamente digna. Todavia, desde os primórdios de sua vida, era uma criança criativa, inteligente e escandalosamente diferente das demais. Assim como seus pais e toda a Europa Medieval, acompanhava pelos jornais o drama do povo de Acqualuza, que ganhou notoriedade internacional. Lendo jornais de origem britânica, Saravåj aprendeu o inglês por conta própria. E foi por intermédio desses folhetos estrangeiros que o menino ficou sabendo da existência de Dúbravska. Um sábio monge acqualuzense que se isolou da civilização em meados de 1360 e passou a viver sozinho em cordilheiras, em um estado infinito de meditação. Era considerado pelos cidadãos de Acqualuza como o mais próximo de Deus que tinha-se na Terra - havia quem dissesse que ele tinha contato direto com o Todo-Poderoso. Quando ficou nítido que não existia nenhum panorama de melhora para o povo acqualuzense da situação de calamidade em que se encontravam, os mais importantes homens da Península de Acqualuza começaram a procurar por Dúbravska, na esperança de que este tivesse a fórmula perfeita para contornar todo sofrimento de seu povo. Quando contatado por meros cidadãos comuns, o monge afirmou que a Península de Acqualuza tinha um período de guerras incessantes pela frente, onde a paz seria impossível e seus governantes seriam seus maiores inimigos. E profetizou que, após o período de trevas, somente uma criança de coração puro e livre de maldade seria capaz de liderar um reinando que enfim devolveria a paz para Acqualuza. Algumas horas mais tarde, no pôr-do-sol, Dúbravska entregou sua alma para Deus e realizou a sua assunção aos céus, e nunca mais foi avisado por ninguém. Quando terminou a sua leitura, Saravåj sentiu um arrepio que correu todo o seu corpo e não teve dúvidas: era ele próprio a criança da profecia.
Alguns anos mais tarde, inconformado com a sua situação e de sua família e revoltado com a forma com a qual os nobres engoliam as classes inferiores, Saravåj foi para a Inglaterra incentivado por sua mãe em busca de mais oportunidades assim que se tornou um homem adulto, em uma árdua caminhada, onde cruzou a Europa em 25 dias até chegar em Cherbourg-Octeville, na Gália, de onde seguiu de balsa para a Inglaterra. Na terra da rainha, pela primeira vez na vida a sorte sorriu para ele - e em dose dupla: o garoto de até então 18 anos entrou e cresceu rapidamente no exército inglês e também apaixonou-se reciprocamente por Camilly Shaw, sem um pingo de dúvidas, uma das mulheres mais atraentes de todo o Reino da Inglaterra: o seu cabelo lembrava os radiantes raios solares, de tão loiro. Também era dona de claros olhos azuis cor-de-mar. A garota era membro e a natural herdeira de uma respeitada família de militares de elite. Pela primeira - e única - vez, Saravåj descobriu o amor. Saravåj filiou-se como peão ao Exército Nobre Inglês em 1413 e à CAJA em 1415. Sua mãe, em uma das cartas que mandava da Iugoslávia semanalmente para Saravåj, foi totalmente contra a ideia de saber que o seu próprio filho derramou o sangue de pessoas inculpadas e encorajou Saravåj a trilhar os seus caminhos longe do militarismo. Sugeriu que mudasse o seu foco para ler livros e adquirir conhecimento, como era o sonho dela. Saravåj sabia que era utopia. Prometeu para sua progenitora que seria a primeira e última vez. O garoto iugoslavo, idealizando o seu futuro com Camilly acima de qualquer coisa, tinha medo da ameaça que os Winchestter poderiam vir a se tornar um dia, sem conhecer o maquiavélico plano do governo inglês de usar a tirania dos Winchestter como justificativa para aumentar as suas riquezas com as terras de Acqualuza.
No dia 10 de Novembro daquele mesmo ano, Saravåj invadiu de surpresa na calada da noite o imenso castelo da família Winchestter, junto de colegas de esquadrão e de assassinos profissionais em uma noite que deveria ser de comemoração para os monarcas, com as suas típicas e corriqueiras festas regadas à música clássica e todo tipo de bebida alcoólica. No saldo final, o garoto, que sempre se destacou com espadas em punhos, assassinou Diógenes Dionisi, o próprio patriarca da família Winchestter. Foram incontáveis as baixas de membros dos Winchestter naquela madrugada. Do outro lado da moeda, o morticínio foi um sucesso: o nascer do sol foi acompanhado pelo choro de homens e mulheres abraçados com os ensanguentados corpos sem vida de seus entes queridos. O vermelho-sangue banhava todas as ruas de Acqualuza, em um cenário tão surreal que sequer parecia realidade. Esta noite ficou marcada por toda eternidade na história como "O Domingo Sangrento".
Com a morte de diversos membros da família Winchestter e com a desestabilização total dos mesmos, o povo de Acqualuza, enfim, despertou. Passeatas violentas que levavam como slogan a frase "OS MONARCAS NÃO NOS AJUDAM!" eram diárias na Península de Acqualuza. Zoey Deschamps, a viúva de Diógenes Dionisi, assumiu o mandato de seu ex-marido juntamente de Alice Azcabaz, em uma diarquia frágil e que sofria forte desaprovação do povo, em um período de seis meses que ficou conhecido como "Caveirão". A gota d'água foi o suicídio da rainha Alice Azcabaz, a própria pioneira da tomada de Acqualuza, que se enforcou após não suportar a pressão e as ameaças que vinham de seus próprios compatriotas. Com a morte de Alice, Zoey abdicou do trono, fazendo com que a Península de Acqualuza caísse em anarquia total.
Sem o exercício nenhum tipo de governo nas desejadas terras acqualuzenses, a Inglaterra tinha o cenário perfeito bem à sua frente. Contudo, optou por agir com cautela. Sabino III, sabendo que o povo de Acqualuza ficaria acuado e com um pé atrás após a péssima experiência com um governo gringo - e inglês - em suas terras, enviou seus mais competentes diplomatas para a Península de Acqualuza, na intenção de negociar a almejada anexação das terras de ferro, cobre e bronze com os representantes do povo acqualuzense, em um consenso bilateral, que fosse benéfico para ambos os lados, e pouco a pouco, foi colocando os seus oficiais dentro de Acqualuza, na esperança de criar raízes inglesas na península. Na teoria, a Península de Acqualuza se tornaria parte e dependente do Reino da Inglaterra em troca de estabilidade governamental. O povo sabia que eles precisavam de um rei e que a anarquia só iria levá-los ao fundo do fundo do poço. Não haviam muitas saídas que não fosse aceitar o acordo proposto por Sabino III.
Entretanto, havia uma maçã podre neste cesto que atendia por nome e sobrenome: Matiza Perrier. Um prepotente e irreverente gênio nato, inglês descendente de iugoslavos, membro do Exército Nobre da Inglaterra e que participou do saqueamento do castelo da família Winchestter ao lado de Constantin Saravåj no 10 de Novembro. Porém, paralelamente aos seus serviços prestados ao Reino da Inglaterra, Matiza liderava uma organização de interesses sombrios conhecida como Pasárgada. Os pasargadanos tinham um objetivo em comum com os imperiais ingleses: tomar as ricas terras da Península de Acqualuza para si. Mas utilizavam meios diferentes - e mais inteligentes - para isto. A Pasárgada era o grande ventríloquo por trás de cada atitude do reino inglês. Era quem mexia as peças no tabuleiro: manipulou o governo da Inglaterra para que este manipulasse os cidadãos acqualuzenses para que estes derrubassem os Winchestter do poder. No fim das contas, quem se beneficiaria da ausência de um rei na península e sentaria no trono seria Matiza Perrier - e ele tinha meios indefectíveis para isto. Tanto que, subitamente, como um raio que cai sem nenhum aviso prévio, as negociações entre a Inglaterra e o povo de Acqualuza pararam. Quando os nobres, oficiais e diplomatas ingleses se deram conta e olharam para o alto, só puderam assistir estáticos e de camarote a coroação de Matiza Perrier como rei de Acqualuza, que a partir daquele momento passou a ser um reino independente dos catalães, nomeado de "Pasárgada". Zoey Deschamps - agora noiva de Matiza Perrier - arquitetou por trás das cortinas as condições necessárias para que a Pasárgada atravessasse as negociações entre a Inglaterra e o povo acqualuzense e tomasse a península para si. Os cidadãos acreditaram com toda inocência do mundo que um governo novo e, acima de tudo, não-inglês, era o ideal para eles naquele momento.
Quando a notícia de que uma desconhecida oposição havia vencido a disputa pelo trono chegou aos ouvidos de Sabino III, ele ordeu a retirada imediata de todas as suas tropas das terras de Acqualuza. Muitos conseguiram fugir para regiões vizinhas - entre estes, Constantin Såravaj - mas muitos mais jamais puderam voltar para suas casas. No dia 10 de Julho de 1416, a Pasárgada assumiu oficialmente a Península de Acqualuza e o agora rei Matiza fez o seu primeiro discurso ao seu povo. O comandante da Pasárgada proferiu palavras bonitas e se mostrou um defensor ferrenho dos direitos humanos e da inclusão social das classes menos favorecidas, ganhando como recompensa uma salva de palmas ensurdecedora do povo e a simpatia dos mesmos. Mas contradisse-se quando ordenou que seus oficiais, de modo acaçapado, executassem sem dó nem piedade todo homem que tivesse um brasão inglês no peito nos limites de seu território. Saravåj assistiu imóvel muitos companheiros sendo brutalmente esquartejados durante o tumulto, mas foi bem-sucedido em sua fuga. Se instalou, assim como a grande maioria dos ingleses sobreviventes, na pequena vila camponesa de Balistres, pertencente ao Reino da Gália (onde atualmente se localiza a França) e que fazia fronteira direta com a Península de Acqualuza.
Em Balistres, Constantin Saravåj enfim pôde encontrar-se com sua amada após sua fracassada e última missão militar. Após uma longa conversa, Camilly convenceu Saravåj a deixar o Exército Nobre da Inglaterra e se instalar na vila de terras férteis de Balistres juntamente a ela. Muitos ex-oficiais ingleses seguiram o mesmo caminho e colocaram o seu uniforme imperial na gaveta para se dedicar a uma vida pacata em Balistres. Entretanto, o nobre guerreiro iugoslavo ainda se preocupava muito com o que acontecia em Acqualuza. Em seus pensamentos, sentia muito pelo povo daquele lugar. A Pasárgada era uma ameaça muito maior do que os Winchestter. Tanto para a Europa Medieval quanto aos seus próprios cidadãos. Seria uma mentira dizer que a qualidade de vida do povo da península não melhorou muito com o governo da Pasárgada. Mas a corrupção continuava - a diferença é que, desta vez, acontecia de uma maneira inteligente. O grande coringa de Matiza Perrier era o próprio governo anterior à Pasárgada: os pasargadanos não erradicaram a corrupção. Apenas a diminuíram. Ainda assim, muitos recursos que deveriam ser destinados ao povo acqualuzense eram usados visando somente os interesses pessoais de Matiza Perrier e de seus aliados mais próximos. Em uma comparação inevitável com o governo descaradamente ilícito dos Winchestter, a impressão era a de que Matiza estava tirando leite de pedra e levantando a Península de Acqualuza da lama. A astuta ideia era, além de roubar, alienar o povo. Sem instrução econômica, os acqualuzenses idolatravam Matiza, que aumentava a sua popularidade com seus periódicos discursos infestados de falso moralismo. No balanço geral, uma minoria do povo enriqueceu e a grande maioria apenas se tornou menos pobre. Uma sociedade cada vez mais segregada entre ricos e plebeus. Tudo ocorria da forma mais perfeita possível para que Matiza Perrier enfim começasse a colocar as suas peças no campo adversário para dar início a um temível império pasargadano.
Saravåj, um dos pivôs da agora extinta CAJA, até queria fazer algo para que o povo de Acqualuza abrisse os seus olhos mais uma vez. Mas era totalmente desencorajado por Camilly. A garota queria que Saravåj se concentrasse na vida a dois. Camilly afirmou que para ela, pouco importava passar os seus próximos setenta anos como mera camponesa. Que não reclamaria se comesse cenoura, couve e batata todos os dias. A única coisa que realmente importava era estar ao lado de Saravåj. Juntos, vivos e seguros. Os seus futuros filhos poderiam viver uma infância alegre, brincando no campo e longe das guerras e de toda crueldade do mundo, realidade rara na Era das Trevas da Idade Medieval. A imagem de uma família perfeita e unida, mesmo que ainda somente na imaginação e muito longe de ser concretizada, era linda. Sendo assim, tanto Sabino III quanto Constantin Saravåj desistiram das terras da Península de Acqualuza, reconhecendo finalmente, que agora estas mesmas eram de domínio da Pasárgada. A paz reinou em Balistres durante alguns meses. Saravåj e Camilly residiram felizes naquela vila e fizeram inúmeros planos para os próximos anos. As colheitas foram um sucesso. A segurança, estruturada por antigos e competentes soldados do escalão de elite do exército da Inglaterra, era impecável. As crianças tinham acesso à educação de qualidade, tanto militar quanto acadêmica. Após muito esforço de seus residentes, Balistres via em seu horizonte uma década próspera e abundante.
Até que, durante um pôr-do-sol, a Pasárgada, faminta por ampliar os seus domínios, invadiu o vilarejo gaulês. Constantin Saravåj e seus companheiros bem que tentaram defender as suas terras com unhas e dentes, mas em vasta desvantagem numérica, foram facilmente reprimidos. Por mais uma vez, a Pasárgada patrocinou um massacre. Muitas pessoas, leigos e militares, foram mortas. A maioria delas, jovens que partiram deste plano sem concretizar os seus sonhos. Nesse ínterim do ataque do reino de Matiza Perrier ao vilarejo de Balistres, Camilly Shaw feriu-se com gravidade. Após ter uma lança atravessada em seu peito, a garota começou a perder muito sangue. Os remanescentes que restaram da investida pasargadana transcorreram para a metrópole de Nice, uma das maiores cidades da Gália e uma das pouquíssimas que contavam com assistência médica especializada. Novamente, a Pasárgada venceu e incorporou a terra de Balistres aos seus territórios.
Em Nice, Camilly foi uma das primeiras a receber atendimento dos paramédicos. Após uma rápida e sucinta análise, o iátrico afirmou a Saravåj que a hemorragia de sua dulcinéia era um quadro clínico irreversível para a medicina da época. Camilly Shaw deveria ter, na melhor das hipóteses, algumas horas de vida. E como se não bastasse, o médico ainda constatou que a garota estava grávida há algumas semanas e teria o infeliz destino cruel de falecer juntamente de seu bebê. Foram as palavras mais duras que já entraram pelos ouvidos de Saravåj. O garoto sentiu que estavam arrancando-lhe brutalmente a parte mais importante de sua essência. Camilly era motivo pelo qual Constantin Saravåj realizou atrocidades pela CAJA. Pelo qual desistiu da carreira militar. E, acima de qualquer outra coisa, a garota era o motivo pelo qual Saravåj estava disposto a matar e a morrer, se fosse necessário. Durante a caminhada até Nice, Camilly fez com que Saravåj prometesse que, independentemente do que viesse a acontecer dali em diante, ele não iria derramar uma lágrima sequer. Nem por ela, nem por ninguém. Mas o garoto iugoslavo foi incapaz de cumprir a sua promessa quando soube que iria perder a mulher da sua vida e seu primeiro filho de uma só vez. "Se Camilly morrer, por que ou por quem eu tanto matei?", pensava Saravåj, entre lágrimas e soluços. Matrimônio. Sonhos. Planos. Tudo virou pó de um instante para o outro. Em pouco tempo, o garoto estaria sozinho no mundo. Soava injusto, mas já não havia tempo para prantos. Durante a trágica notícia, inúmeros mensageiros da Gália chegaram aos berros em Nice, gritando pelas ruas de maneira histérica para quem quisesse ouvir que a Pasárgada estava invadindo a Gália de modo feroz. As tropas da grande metrópole gaulesa precisavam se organizar para um provável combate e os cidadãos daquela localidade eram jogados à deriva, sendo obrigados a se refugiar como pudessem.
Por mais uma vez, os sobreviventes do morticínio de Balistres teriam que fugir de seus algozes. Até a metade do caminho, Saravåj levou Camilly em seus braços, com a estúpida esperança de que Deus, se de fato se fizesse existente, oniconsciente, bondoso, justo e misericordioso, operasse um famigerado milagre. Até que, nos arredores de Paris, tornou-se inviável continuar carregando uma mulher que havia recebido uma sentença de morte. A consciência de Camilly estava por um fio. Os braços de Saravåj já há muito eram humanamente incapazes de continuar carregando um corpo tão pesado. Os retirantes precisavam se apressar, afinal, eles não sabiam o quão rapidamente a Pasárgada estava avançando. Não havia mais como adiar a despedida.
O garoto, afastando-se do grupo de Balistres, encostou Camilly em uma grande figueira. O casal, na escuridão da noite, era iluminado somente pela luz da lua cheia. A garota, em um último e doce ato, colocou nas mãos de Saravåj um colar dourado, que continha um pequeno pingente em formato de coração. E feito isso, fechou os olhos. Aos poucos, a sua respiração pesada cessou. E, por fim, o seu coração deu a sua última batida - um último "eu te amo" à Constantin Saravåj. Após a morte de Camilly Shaw, que sequer teve a oportunidade de ter um velório digno, os que restaram do vilarejo de Balistres continuaram a sua jornada durante toda madrugada. E só pararam quando alcançaram a cidade de Baden-Wüttenberg no nascer do sol, já no território da Germânia (nos dias de hoje, a Alemanha). Em solo germânico, todos os ex-soldados do Exército Nobre Inglês, entre eles, um abalado Constantin Saravåj, fizeram uma última continência à bandeira da Inglaterra, se despediram e trilharam seus respectivos caminhos.
"Olha bem, mulher. Eu vou te ser sincero. Eu sabia que ia dar errado. Esse mundo está corrompido e a felicidade aqui não passa de uma utopia. Nós vamos ficar longe um do outro por um tempo, mas ainda vamos nos reencontrar. Eu não posso te prometer, mas eu juro que anseio por isso do fundo da minha alma"
Após este calamitoso ocorrido, Saravåj nunca mais foi o mesmo. Tornou-se uma pessoa amargurada. Cheio de ódio no coração, admitiu para si mesmo que a criança da profecia não passava de um delírio. Também se convenceu de que todo o amor que ele podia dar em vida terrena, ou qualquer sentimento positivo que fosse, foram para o túmulo juntamente de Camilly Shaw. O garoto iugoslavo passou a dedicar a sua vida a tecer um planejamento suficientemente perfeito para derrubar a Pasárgada - e em especial, Matiza Perrier - já que estes haviam tirado tudo o que ele tinha de mais importante. Suas terras. Seu povo. Seu filho. O grande amor de sua vida. Dizimar a Pasárgada. Concretizar a sua vingança. É para isso que Saravåj passou a viver. Afinal, tudo o que era lindo. Tudo o que era bom. Tudo o que era perfeito. A Pasárgada destruiu.
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2019.01.21 00:51 Law_Mateus Eu quero apenas um carinho...

Já fiz tantos desabafos sobre isso (tanto para amigos meus quanto aqui no Reddit) que eu, estou puto com tanta saturação, fazer esse desabafo vai mudar algo pra minha situação ? Claro que não, mas eu tô cansado literalmente cansado de esperar por carinho, eu simplesmente acho que eu só preciso de carinho pra ter como tratar as coisas de uma maneira mais feliz. Ver casais em obras que amo (de livros a músicas) é algo que tenho prazer de ver mas sempre me parte o coração, pois a falta de qualquer memória relacionadas a carinho afetivo é algo que ronda minha mente o tempo inteiro e eu sinto que toda vez, que penso em algo como isso (relacionamentos) preciso falar para alguém mas, como disse nem eu me aguento falando sobre isso. Eu já tinha marcado com duas meninas esse mês, eu realmente estava feliz, mesmo vendo coisas que normalmente me deixariam triste eu não está me sentindo assim, porém acabei por levar dois bolos de cada uma, graças a Deus não foi presencial, mas sla(mesmo que, o por que delas terem me dado o bolo não fosse minha aparência) eu fiquei extremamente frustrado pois essas eram as primeiras vezes(de tentativas por minha parte) e já estava tudo dando errado, e então eu estou apenas esperando para conseguir sair com uma delas agora pois a outra está desprezando demais a situação , ela não dá o mínimo de importância. Porém essa espera dura um eternidade, até porque eu terei curso dois dias seguidos e eu realmente preciso desse afeto eu tô me sentindo muito mal esses dias realmente ver pessoas, casais e ficar desejando aquilo na minha vida a muito tempo é algo que está acabando comigo eu tô muito desgastado mentalmente por pensar tanto sobre isso, eu só quero ter essa experiência, eu estou pouco me importando se der errado, apenas o fato de eu conseguir passar por essa experiência vai mudar para melhor meu estado mental (ou eu pelo menos espero). Muito disso se deve ao fato de que com quase 17 anos eu ainda estou bv, é algo que não tem nada haver com questões sociais eu apenas sinto tudo de ruim em saber que estou entrando no 3 ano do ensino médio e uma das coisas que mais fode minha cabeça é a falta de relacionamento amorosos. Além disso outra coisa que me deixa mal é elogio (não todo tipo) é por que assim ontem eu falei pra minha amiga sobre isso de eu ser bv mesmo tendo uma idade elevada, e ela falou que não acredita por que eu era bonitinho, eu fiquei feliz(apenas por alguns momentos) porém logo dps muito triste, pois em saber que o único motivo de eu não ter essa experiência, é totalmente culpa minha. Eu realmente me sinto no fundo do poço a ponto de ficar triste após um elogio.
submitted by Law_Mateus to desabafos [link] [comments]


2018.12.03 12:02 DrHelminto (Tribunal do Karma) - /u/bolonaro vs. /u/dannylithium sob acusação de ser um bot.

Mais uma sessão do Tribunal do Karma.
A acusação desta vez foi formulada pelo usuário bolonaro*, no sub* /brasilivre no post: https://www.reddit.com/brasilivre/comments/a2mywe/teoria_da_conspira%C3%A7%C3%A3o_udannylithium_%C3%A9_um_chatbot/
Segue a transcrição da denúncia:
u/dannylithium não é um ser humano, ele é um robô criado para farmar karma, para que a conta seja vendida depois.
Existem sides especializados em compra e venda de contas de karma alta e idade alta no Reddit, os anunciantes compram essas contas para que possam fazer propaganda sem serem banidos ou ignorados.
As respostas repetitivas, o aspecto breve das mensagens, tudo isso sinaliza que ele é um bot, e não um humano.
O fato dele ter concordado com vários posts de esquerda também sinaliza que ele é um NPC. Ele foi treinado a partir de bancos de dados com frases esquerdistas, que são mais comuns na mídia.
A pessoa que criou o u/dannylithium tem milhares de outras contas espalhadas nesse sub e também pelo Reddit. Na verdade talvez eu seja o único ser humano nesse sub, eu já não sei mais.
Convoco o juiz concursado titular DrMalvado para o julgamento
Advogado de Defesa será o já consagrado advogado vitorioso PetistaSafada
O promotor apontado pelo acusador é o ssantorini*, pendendo aceitação. Mas já há declaração de acusação do* bolonaro
Escrivão: DrHelminto
Que comecem os trabalhos.

Prova 1, análise do WhyNotCollegeBoard**, bot que calcula as chances de um usuário marcado com "bad/good bot" em ser um bot:**
https://www.reddit.com/brasilivre/comments/a2mywe/teoria_da_conspiração_udannylithium_é_um_chatbot/eazrcjr
Are you sure about that? Because I am 99.83274% sure that dannylithium is not a bot.

Declaração da acusação por bolonaro**:**
Qualquer pessoa que como eu creia que o u/dannylithium é um bot pode ser meu advogado. Eu dou preferência a u/ssantorini, mas se ele não quiser, quem se apresentar pode assumir no lugar dele.
A maior prova de que u/dannylithium é um bot é que ele não consegue escrever um post coerente com mais do que cinco linhas. É uma limitação da engenharia da inteligência artificial que está gerando as frases dele.
O laudo técnico do WhyNotCollegeBoard não tem valor nenhum porque um bot programado com técnicas modernas ( de 2018 ) pode enganá-lo com facilidade, ele só detecta bots que ficam repetindo mensagens automáticas o tempo todo, não bots programados com machine learning, o que eu penso ser o caso de u/dannylithium.
Deixo anexado a maior prova de minha acusação, o histórico do próprio usuário, que pode ser lido clicando aqui: u/dannylithium

Prova 2 apresentada pela defesa:
https://www.reddit.com/brasil_drama/comments/a2no7z/tribunal_do_karma_ubolonaro_vs_udannylithium_sob/eazsvbz
O dannylithium passou por um captcha.
Protesto da acusação com a prova 2.
https://www.reddit.com/brasil_drama/comments/a2no7z/tribunal_do_karma_ubolonaro_vs_udannylithium_sob/eazub6l
Vossa Excelência DrMalvado , eu protesto! Existem várias redes neurais escritas no Tensorflow que são capazes de decodificar esse captcha ridículo que foi postado aqui!Olha só isso, 98% de acertos!! Peço que a prova seja rejeitada!
Declaração da defesa sobre a prova 2.
Excelência, o usuário não apenas resolveu o captcha, mas também interpretou com sucesso a requisição da defesa, acessou o link, interpretou a necessidade de apresentar a resposta certa para a corte e finalmente postou a resposta correta. A menos que a procuradoria apresente o repositório de um algorítmo capaz de realizar todas essas tarefas sem intervenção humana, fica claro que é, de fato, um ser humano conscientemente atendendo o que lhe é exigido. A acusação é especulatória no melhor dos casos e, no pior, absurda e maliciosa.

Testemunho livre do Blizzaia**:**
https://www.reddit.com/brasil_drama/comments/a2no7z/tribunal_do_karma_ubolonaro_vs_udannylithium_sob/eaztaes
Absolutamente bot com algumas poucas frases escritas pelo dono da conta, provavelmente para tentar disfarçar.
É só olhar os comentários automáticos dele aqui e não sobra dúvidas.
Ou... é meme.

Prova 3, da acusação. Análise dos metadados do réu.
https://imgur.com/a/wNjZDpF
Protesto da defesa contra a prova 2:
Excelência, peticiono a corte para remover a evidência. A imagem apresentada foi claramente editada com um texto em vermelho visando condicionar o juri a uma conclusão fabricada pela acusação, e portanto claramente enviesada. Além disso, a análise estatística apresentada cobre um período de menos de um dia, o que é perfeitamente aceitável para um ser humano. Em qualquer análise estatística, uma amostra tão pequena jamais deve ser aceita, pois a possibilidade de ruído é grande. Não há evidência conclusiva da atuação de um robô e a evidência apresentada é claramente enviesada.

Depoimento do réu:
https://www.reddit.com/brasil_drama/comments/a2no7z/tribunal_do_karma_ubolonaro_vs_udannylithium_sob/eb18q1i/?context=3&utm_content=context&utm_medium=message&utm_source=reddit&utm_name=frontpage
u/DrHelminto e u/drmalvado
Eis a minha tese: a moderação do brasilivre está tentando arrumar uma desculpa para me banir. Esse julgamento é claramente uma perseguição na qual não há provas, apenas convicção.
Explico.
Ocorre que apesar dos meus comentários serem inconvenientes, eu não estou quebrando, em tese, as regras do Reddit. A moderação do brasilivre precisa dar um jeito de me banir.
Noto que a minha "defesa" até agora foi o "advogado" me mandando resolver um captcha. Até o incel me defenderia melhor.
Observo, também, que o mod u/ssantorini, o moderador que mais me ama (já criou pelo menos 2 posts no brasilivrechorando a meu respeito) ainda não se manifestou nesse julgamento, apesar de ter sido convidado a me acusar. Coincidência? Eu acho que é conspiração da CIA.
Obviamente, no fundo, todos me admiram. Tanto que já fui convidado a ser editor da wiki, moderador e inspirei um (verdadeiro) bot. Tudo bem gente, eu também amo vocês.
Se eu realmente quisesse farmar karma, eu estaria no brasil ou num sub esquerdista gringo qualquer falando mal do Bolsonaro ou do Trump. O que eu quero mesmo é conviver com interlocutores doentes - como drogados (mas já tomei ban em quase todos os subs de drogas) e desajustados sociais (programadores, olavetes, petistas, etc.)
Por fim, gostaria apenas de dizer que sou um gênio incompreendido. Daqui séculos as pessoas irão perceber o tamanho da minha contribuição intelectual para o mundo. Vocês estão fazendo parte da revolução, sintam-se honrados!
Miau, é isso aí!

Testemunho do ssantorini
Apesar de ter sido invocado pela acusação, acho que meu testemunho favorecerá a defesa do réu.
O usuário dannilythum é apenas um lesado que parece ser bot. Ele é um frequentador de subs que falam de drogas, costuma fazer comments falando de drogas ou elogiando experiências desse tipo, tem no nick uma menção a uma droga típica de gente com problemas na cabeça (Lítio) que fica mudando de humor igual macaca com TPM no cio. Tem ambém o fato dele não estar conseguindo farmar karma corretamente, embora isso não afaste a hipótese da acusação (pode ser só um bot mal concebido).
Ele é um attention whore nível 99, como visto no julgamento de TE_Lasco (não gostou do fato de TE_Lasco ter se esquecido dele quando citou vários users para sua defesa).
Tudo indica que se trata apenas de uma pessoa doente da cabeça com o cérebro lesado por drogas, levando a um comportamento que simula a demência, justificando desconfiança dos demais sobre ele ser bot.

Declaração da Defesa, através do advogado PetistaSafada
Excelência, todas as evidências apresentadas pela acusação são altamente especulativas e facilmente descartadas pelo uso do bom senso e das boas práticas estatísticas. Gostaria de lembrar também que este não seria o primeiro caso de perseguição de moderadores sêniors do /brasilivre contra um usuário com opiniões que divergem do comum no sub. Fonte: TE_lasco x /brasilivre
Condenar o sr. dannylithium seria um ataque grave a democracia e a liberdade de expressão. Acusações sem prova concreta para silenciar membros com pensamento diferente mandaria uma mensagem sombria para a comunidade: aqui, somos uma bolha tão ruim quanto o /brasil. Apenas peço a corte que não sucumba a propaganda controladora dos mods do /brasilivre e que garantam o futuro do sub como a última comunidade brasileira onde a liberdade de expressão ainda é prioridade.

Sentença FINAL:
Bem amigos da rede drama! Pensaram que o caso ia ficar por isso mesmo, mas vai ter sentença sim!
Trata-se de denúncia apresentada pelo usuário bolonaro onde acusa u/dannylithium de ser um robô criado para farmar karma, com intuito de obter posterior vantagem ilícita (bot).
A defesa alegou em resumo que o acusado passou por um captcha, alegando ainda que todas as provas foram adulteradas ou que são especulativas, e que podem ser descartadas pelo bom senso. Alega por fim perseguição política pela moderação do sub.
Foram ouvidas testemunhas bem como o interrogatório do acusado.
Foi produzida por fim prova pericial.
Feito o relatório, passo a proferir a minha SENTENÇA:
Será de mussarela? será de calabresa? O fato é que hoje é terça-feira, então não teremos pizza amigos! No mérito a ação é PROCEDENTE. Conforme constou do processo, a acusação que pesa contra o usuário é de ser um robô (bot) criado para farmar karma com intuito de obter vantagem ilícita (lucro na venda da conta a terceiros). Analisando o histórico de postagens do réu (informação esta que é pública e notória), vemos que ele sempre se manifesta de forma laconica, o que indica certa forma automatização nos comentários. Desta vez a acusação não deu bobeira e trouxe provas robustas dos fatos, em especial o laudo pericial, o qual demonstra que o acusado somente deixou de postar por duas horas por dia, além de possuir complexidade de escrita apenas média. Os apontamentos em vermelho não descaracterizam a prova, uma vez que se trata também de análise disponível ao público. Por fim, pesou contra o acusado seu nome conter a palavra lithium, ou seja, lítio, elemento que todos sabemos é utilizado na composição de baterias, o que confirma que o acusado é mesmo um robô. Por todo o exposto julgo PROCEDENTE a acusação. Resta a penalidade a ser imposta. Julgo adequado impor como pena a autorização para qualquer pessoa responder aos comentários do réu com a seguinte expressão: "bad bot" o que automaticamente fará com que ele perca qualquer discussão em que estiver envolvido na internet.
submitted by DrHelminto to brasil_drama [link] [comments]


2018.01.18 19:18 lecolie [Desabafo] Um pequeno texto sobre eu me sentir um lixo, foi mal.

Eu sou um lixo.
É basicamente isso, eu nem sei por onde começar, eu simplesmente sou um lixo. Não é nem que nem aqueles caras nos filmes com uma melancolia romântica. É agonia, frustração e raiva, por eu ser um lixo.
Acho que parte dessa sensação veio da pressão que colocavam encima de mim sobre eu ser um garoto inteligente, e eu ser a criança da família que vai se tornar um adulto bem sucedido. Agora a minha prima ganhou vários concursos pra entrar em escolas de renome ou sla oq, enquanto eu continuo estudando em um colégio estadual, sem saber pra onde a minha vida vai, sem vontade de saber.
Tem o meu "melhor amigo" (eu não sei mais se continuamos sendo amigos, a gente não se vê faz um tempo, mas é porque eu só fico em casa o dia todo e cortei contato com ele praticamente, que é o meu vizinho), ele ta sempre sendo meio produtivo, ele passa o dia com a namorada e fazendo coisas que ele gosta, ele ganha um bom dinheiro administrando uma página do facebook. Era o único tipo de coisa que um dia eu pensei que eu teria, algo grande na internet, pois é na internet que eu fico o dia todo. Mas não, eu sou o garoto que não chegou em lugar nenhum, nem no que eu considerava o meu espaço.
Também tem o meu irmão mais novo que vive falando dos planos dele, embora academicamente eu ainda seja bem superior a ele (sem querer parecer arrogante, o meu irmão que é meio ingênuo mesmo), ele passa confiança por demonstrar saber por onde ir. Ninguém nunca ouviu os meus planos, eu nunca tive planos. Eu sinto que sou uma decepção.
Eu sinto que sou a única pessoa do mundo que não sabe como as coisas funcionam, ou pra onde vou. Em viajens bancadas pelo estado (um jeito mais bonito de dizer passeio escolar) eu sinto que todos os outros estudantes sabem o que ta acontecendo, como vai funcionar quando chegarmos lá, onde vamos lanchar, como não se perder, etc. Enquanto eu só fico lá, seguindo todo mundo. Eu não faço a menor ideia.
Pra falar a verdade eu nem sei se to colocando as vírgulas no lugar certo, ou se eu começo outro parágrafo na hora certa, eu tenho a sensação de estar perdido o tempo todo.
Até no reddit quando eu vou postar algo eu leio as regras umas cinco vezes, leio posts dos outros pra pegar alguma referência, e ainda fico nervoso na hora de postar, me perguntando se eu to fazendo algo errado, sentindo como se eu fosse ser gravemente punido por isso.
Sabe aqueles pais que te pedem pra fazer umas coisas, mas tipo, na língua deles? Eles te pedem pra fazer algo que você meio que não entendeu o que eles quiseram dizer, aí vocês ficam com um pouco de medo de perguntar, e medo de fazer tudo errado. Então, é assim o tempo todo, com tudo, com todo mundo, em todos os lugares. Aliás, espero que tenham pego a referência dos pais, espero que não seja assim só comigo.
Eu acho que deveria ter pensando mais cedo em dizer que tenho 17 anos, imagino que alguém lendo isso agora deve estar pensando "Ah caralho, mas é claro! Ele tem 17 anos, porra, perdi meu tempo me importando um pouquinho com isso", só posso pedir desculpas, mesmo. Foi mal.
Eu sou um daqueles jovens que andam meio estranho na rua, que evitam contato visual e acabam fazendo o contato visual mais bizarro que o dos quadros nos filmes do Harry Potter. Eu tento ser gentil nas lojas, e quando me entregam o troco eu falo um "obrigado" como se tivesse um agente me espiando da esquina falando "Agora, diga obrigado" em linguagem de sinais. Quando eu vejo um grupo de pessoas na calçado eu fico super nervoso, começo a entrar em pânico e, quando as pessoas finalmente já passaram, eu espiro como se tivesse fazendo aqueles exercícios de controle da raiva.
Por favor atravessa a rua, pega o celular, olha pro céu, sla.
Me salva dessa situação, por favor.
Uma vez eu fui numa sorveteria com mais dois amigos, faz tempo, pedimos os sorvetes e a moça perguntou "Cobertura?", então eles dois disseram "não" e eu dissei "De morango", ela não me ouviu, e eu deixei passar, eu prefiro deixar essas coisas passarem, é mais confortável pra mim. Então a moça foi entregar os sorvetes e um deles disse "ele quer cobertura" e eu automaticamente pedi pra ele ficar quieto, cara, isso foi horrível, ela disse "Ah desculpa, desculpa mesmo, é que eu não ouvi" e eu disse "Tudo bem", nessa hora eu só queria que um assaltante entrasse na loja, alguém reagisse, e ele matasse todo mundo. É como se a maneira como as minhas interações sociais funcionavam tivesse sido descoberta, como se tivessem tirado a minha máscara, eu fui exposto, eu me senti exposto. Agora eles sabem que eu posso estar deixando várias coisas passarem, agora eles podem ter medo do que eles não me ouviram dizendo. Pelo menos é assim que fica na minha cabeça, na minha cabeça a minha presença deixa eles desconfortáveis.
Mas tem uma pessoa especial com quem eu converso sempre, ela me inspira a fazer as coisas, ela me move, eu amo ela. Ela é incrível, ela faz as coisas, ela faz coisas bem legais e inspiradoras, eu amo o que ela é. Ela não gosta quando eu falo mal de mim, então eu tenho falado bem menos do que antigamente, mas é provável que isso que eu acabei de escrever, isso tudo, não agrade ela. Eu quero que ela leia, e fique feliz pela hora produtiva que eu tive, quero que ela tenha orgulho do que eu fiz, eu transformei a minha agonia em palavras sólidas que fazem sentido (eu acho (eu espero)). Ela faz eu me sentir bem quando eu to me sentindo mal, ela faz eu QUERER me sentir bem. Eu realmente amo ela.
Enfim, eu me sinto um lixo (de um jeito não romântico), o meu cabelo tá sempre bagunçado (de um jeito não romântico), mas eu tenho uma pessoa especial (de um jeito romântico), que eu amo (de um jeito romântico). Obrigado pra quem leu até aqui, de verdade. Mas eu não tenho como te devolver esse tempo, foi mal. Talvez eu tenha me perdido um pouco no meu próprio texto, foi mal de novo.
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2017.09.25 21:45 botafora01 Sinto que a minha vida já está traçada

Desde já peço desculpas pela muralha e pelo throw away
OK, desde o Ensino Médio eu sofria com algo que eu imagino 90% do Reddit sofreu: não conseguia pegar sequer resfriado. Era extremamente zoado pela sala toda por isso (meus amigos até hoje dizem que eu sou o único da turma que nenhuma mulher chegou), cheguei até a apanhar por isso. Só fui perder meu BV no meu ano de calouro na faculdade e a minha virgindade quando fui num bordel. Eu ficava triste com isso, mas também estava esperançoso: afinal, era um adolescente, estava entrando na faculdade, e todos sempre me louvavam por, segundo eles, eu ser muito inteligente. A menina que eu gostava na época, e que até hoje é uma amiga (e que eu passei a maior vergonha da minha vida, ao me declarar pelo fucking MSN), vivia brincando dizendo "O nerd de hoje é o cara rico de amanhã". Boas memórias.
Chegou 2013, e eu entrei na faculdade. Não fui maravilhosamente bem no ENEM, mas consegui uma bolsa integral em Administração em uma bela universidade. Escolhi Adm por pensar que o mercado estava bom e por ser noturna, o que me permitiria trabalhar. Nesse período, perdi meu BV e fiquei com outra menina uma vez, num espaço de 9 meses. Pra mim, isso era o ápice, eu era o deus da conquista, mesmo que meus novos amigos me zoassem de "pega ninguém" do mesmo jeito. Nessa época, eu baixei o Tinder e conheci o meu primeiro namorico, vamos chamar de Ana. Ana morava a 3h30 de viagem, então era praticamente um namoro à distância. Ficamos algumas vezes, 3 meses depois começamos a namorar e, depois disso, ela passou o mês seguinte dando desculpas para eu não ir lá. Chegou fevereiro, veio o carnaval, e ela disse que estava passando mal. Foi para o hospital e detectaram leucemia. Óbvio que eu pirei, queria ir pro hospital dela de todo jeito, mas ela nunca deixava, dizia que os pais me viriam, iria arrumar encrenca, ela iria ver um momento que estivesse sozinha. Se passaram 5 meses nesse tormento, hora ela dizia que estava boa, hora dizia que estava mal, quimio e afins, até que meus amigos de sala fizeram uma intervenção comigo, mostrando que não havia nada em rede social nenhuma dela a respeito de câncer, mostrando que ela estava postando normalmente sobre coisas cotidianas e que era a maior retardadice do mundo eu não ter ido nenhuma vez ver ela. Eu fiquei meio balançado, até porque meus pais concordavam com este ponto de vista, mas fiquei meio irregular com ela. Pouco mais de um mês depois disso, ela disse que tinha tido alta, tinha encontrado um ex, tinha ficado com ele e queria terminar. Não lamentei muito, até porque isso ocorreu em um espaço de uma semana, no máximo. Terminei e, desde então, ouvi dela duas vezes na vida. Passou.
Vale mencionar que, nesse meio tempo, a minha vida em casa havia melhorado demais: durante meu período de Ensino Médio, minha adolescência se resumia a passar finais de semana com minha mãe em bares, vendo ela entrar quase em coma alcoolico com as amigas e outros finais de semana na casa do meu pai, vendo ele ficar bêbado e chorar no meu ombro sobre ele ser um fracassado que não conseguiu sequer manter um casamento. Quando eu terminei, minha mãe já estava mais centrada (como está agora), saindo ocasionalmente e socialmente, e meu pai parou de beber após enfartar e voltou a ser o cara extremamente trabalhador que eu sempre admirei. No fim do meu primeiro ano de faculdade, eu passei a estagiar em um instituto federal. Ao mesmo tempo do término que eu disse acima, eu fui chamado para um concurso temporário, em outro órgão público, bem mais perto de casa.
Poucos meses após eu terminar com a Ana, entrou em cena a pessoa que eu, de fato, considero como a única que eu namorei. Vamos chamar ela aqui de Beatriz. Beatriz me chamou no Facebook, para brincar sobre uma postagem que eu havia feito (já havíamos tido pequeno contato ainda no colégio), e daí começamos a conversar. Dois meses depois, ficamos e, 5 meses depois, começamos a namorar. Ela perdeu a virgindade comigo e, na prática, eu também perdi com ela (transei com prostitutas umas 4 vezes antes. Fiz exames, por precaução, e não deram nenhum reagente). Eu aprendi demais a me aceitar com ela, nós tínhamos a mesma personalidade, ela era a primeira pessoa que não só não me julgava por meus interesses, como me incentivava a seguir eles. Não me cobrava nada, eu não cobrava nada dela, mas conversávamos de forma quase ininterrupta das 7 até meia noite. Com ela, no entanto, eu descobri algo que já havia visto antes nos bordeis: não sei o que me causa, mas com certeza eu tenho ejaculação precoce. Fui em um urologista, que me disse que era algo psicológico, que eu só precisava "me desligar". Tentei os exercícios que o próprio Reddit indica, mas nunca funcionava. Usei camisinha anestésica 2 vezes: uma vez foi uma maravilha, na outra estourou e eu traumatizei. Sempre me sentia extremamente culpado e furioso comigo mesmo após cada fim de penetração, mas o que atenuava era a presença dela, que sempre me dizia que não ligava, que eu conseguia deixar ela no céu somente com as preliminares, que não ligaria de passar por isso por não sei quanto tempo. Tudo que eu me julgava errado, ela me mostrava que não ligava. Eu me sentia num porto seguro com ela, e isso me impulsionava na faculdade: eu imaginava que iria me formar em um emprego na iniciativa privada, sem "data de validade" como meu emprego temporário, e que, 1 ou 2 anos após isso, estaria casado com ela. O único motivo de discussão que tínhamos era que ela tinha total ojeriza de tornar público: não podia postar nada com ela no Facebook, não podia atualizar status de relacionamento, não podia ir conhecer os pais dela, que "iriam proibir completamente". Mesmo os amigos eu só vi 2 vezes (uma outra vez eu não pude ir por motivos profissionais). Eu sempre entendi que isso era um receio dela, então, mesmo um pouco frustrado, eu aceitava. No que eu terminei minha monografia, estava preocupado com a questão do mercado, mas nada demais. Até que veio o dezembro, 1 ano e 4 meses após começarmos a ficar.
Eu estava na faculdade, pegando os convites de formatura, quando ela mandou o tradicional "precisamos conversar". Resolvemos por texto mesmo: ela disse que gostava de outra pessoa, e que se sentia culpada namorando comigo com interesse em outro. Aceitei, triste, e demos um tempo. 2 dias depois, um amigo me manda uma foto no perfil de um rapaz, que era o mesmo que ela gostava: ambos deitados, ela de top e ele sem camisa, e uma descrição bem...insinuante. Óbvio que eu pirei, liguei para ela, tivemos uma baita discussão, mas, depois disso, esfriou. Acabamos nos vendo, e ficando de novo. Ela terminou com o rapaz, mas ainda jurava de pés juntos que aquela foto era uma coincidência, que ela não havia me traído, que jamais faria isso, que era íntegra. E ficamos uns bons 3 meses indo e voltando até que, em abril, ela me mandou um testamento contando tudo: numa segunda, ela estava na casa de uma amiga, com este rapaz e o cara que a amiga estava pegando. A amiga e o peguete dela começaram a dar uns amassos no local e, segundo ela, ela não conseguiu "resistir" e montou no cara. Uma traição espetacular, que até hoje eu uso como humor auto depreciativo. Fiquei em choque por um tempo, mas, contra os conselhos de todos, perdoei ela e voltamos a namorar. Mas não era a mesma coisa. Ainda era maravilhoso por um aspecto, mas, por outro, ela estava insegura com o relacionamento (dizia que se sentia culpada por ter "estragado tudo por um impulso") e eu estava inseguro com tudo, precisava de validação dela pra tudo, principalmente no que tangia sexo. Eu já era inseguro sexualmente antes, agora era 3x mais, então eu basicamente a induzi a me contar toda a experiência sexual dela com ele, até eu me sentir menos perdedor. No entanto, eu estava começando a me recuperar em junho, estava me reencontrando, entendendo que estava apertando ela desnecessariamente (uma amiga teve essa conversa esclarecedora comigo). Então, tanto como solidificação como um pedido de desculpas, eu planejei uma viagem para nós, no dia que ficamos pela primeira vez, que cairia num sábado. Disse para ela os planos, ela ficou elétrica, empolgada, começou a me mandar links do local, brincar com meus planejamentos e afins...e, na semana seguinte, pediu para terminar. Disse que nunca esteve certa sobre nós termos voltado, que ela ainda me amava, que ainda sentia tesão comigo, mas que não se sentia pronta para um relacionamento sério, e "não queria me magoar". Aceitei, até mantive o contato, pq, nesse meio tempo, ela virou a minha melhor amiga. Mas o mesmo amigo da vez anterior me mandou um print de uma conversa dela com a irmã dele, dizendo que tinha terminado por estar afim de outro cara, e eu reconheci o sujeito: era um cara que ela falava horrores bem dele, "ah, fulano fez isso, fulano fez aquilo, me ajudou com x, um cara foda, faz não sei o que". Não sei se ela me traiu, mas tal conversa era de 1 dia e meio após termos terminado, e ela já havia ficado com tal cara. Não sei se ela me traiu de novo, mas a confrontei (não falei do meu amigo, obviamente, disse que a vi na rua) e ela manteve que não me traiu, mas que, dessa vez, poderia ficar com quem quisesse pq "fez a coisa certa". Eu disse que não conseguiria conversar com ela enquanto ainda tivesse sentimentos, ela disse que entendia, mas que queria saber de mim, que eu ainda era "o melhor amigo" dela.
Isso faz um mês e meio. Eu não consigo deixar de me sentir mal. Eu podia ter feito tanta coisa melhor, mas não fiz. Ela me traiu, possivelmente duas vezes, e tudo que eu consigo fazer é me culpar. Eu só não a chamei ainda pq imagino ela ficando com esse cara, que é melhor que eu em tudo: mais bonito, com uma barba farta de lenhador, com uma carreira já estabelecida, carro na garagem, mora sozinho e afins. O que me leva ao lado profissional: a sala da faculdade se reuniu para um churrasco há 3 semanas, estávamos conversando sobre empregos e eu concluí algo: apesar de que eu (e eu sei quão arrogante isso soa) ter feito que metade da sala ganhasse um diploma, eu sou o único dali sem um emprego minimamente fixo e tenho um salário que é o menor de todos, com vantagem. Todos falam que eu vou ganhar 3k, 4k logo, mas eu já cansei de tomar portadas de empresas. Gasto com passagem, gastei com um terno novo, gravata, e tudo que eu consegui foram muito obrigados, mas uma parcela da minha sala que literalmente não consegue entender que 50% e 0,5 são a mesma coisa (eu tive que ensinar manualmente regra de 3 simples e cálculo com números decimais quando estudamos Matemática Financeira) estão em empregos bons na iniciativa privada, comprando casas e carros. E, de todos ali, só uma me arrumou entrevista na empresa dela (que eu não consegui, principalmente por dita empresa estar num processo de fusão). Quatro conversam ocasionalmente, e o resto só entra em contato pedindo para que eu faça para eles provas de inglês de processos seletivos ou provas da faculdade (para os que ainda não se formaram).
Eu estou fazendo Contabilidade agora, vendo se consigo recomeçar, mas estou extremamente desiludido. Não sei o meu problema, mas o que eu imaginava quando entrei na faculdade não aconteceu. Eu sou um total fracassado no mercado de trabalho, e dificilmente vou conquistar algo além de pular de trabalho em trabalho de escritório, para tirar 2 salários e soltar rojão de alegria por não estar desempregado. Na verdade, eu já imaginava algo nessa linha desde o último semestre, mas, além da esperança mínima, eu carregava que iria ter uma família. Alguém me aceitava, alguém me amava. Hoje, eu vejo que nem isso. Nesse mês e meio pós-término, eu percebi como meu stock está horrorosamente baixo. Ouvi diretamente de uma estranha (no Tinder, vale dizer) como eu sou "feio, com cabelo estranho e roupas deprimentes". A maior parte dos meus amigos disse que eu vou achar alguém, mas só uma amiga me apresentou para alguém (Spoiler: eu quis levar pra amizade pq esta pessoa demonstrou 0 interesse romântico em mim, mas temos muitas afinidades de gostos. Não quero que alguém legal se perca só por não querer abrir as pernas pra mim em qualquer futuro).
Então, qual a conclusão? Para relacionamentos, eu sou a tempestade perfeita: meus gostos não são nada pop, meu estilo de roupa desagrada geral, minha voz é deprimente, eu sou lerdo, distraído, amo entrar em rants gigantes quando me empolgo (vide este texto) e, mesmo que alguma garota um dia resolva passar por isso tudo, o prêmio dela será ter de viver com sexo oral recheado por 30s de penetração, num dia bom. Nenhuma mulher no mundo quer se relacionar com um homem que precise fazê-la ter um orgasmo com masturbação pq não aguenta chegar a 1min de penetração. Ou seja, eu até posso tropeçar em alguma peguete (sim, essa é a palavra, tropeçar. Um incidente do acaso, como foi com a minha ex), mas nenhuma jamais chegará a ser de longo prazo. Dificilmente eu terei uma família. E, sem uma família, não há nada para contrabalancear o fato de que eu sou um fiasco profissional. O "menino gênio" do colégio, o "cara que vai ganhar 7000 daqui 3 anos" da faculdade nada mais era que uma pessoa com um par de neurônios no meio de um grupo de pessoas com bases educacionais mais fracas que a minha e, principalmente, sem interesse algum em estudar. Numa sala focada, eu teria de me esforçar para estar no meio do pelotão. Eu sou mediano intelectualmente e, profissionalmente, sou um lixo que não conseguiu fazer networking na faculdade e, hoje, irá ter de viver de escritório em escritório, sem nenhum breakthrough.
Minha vida parece estar desenhada para ser a definição de um fiasco, de um total e completo desperdício de oxigênio. Mas eu tenho uma missão: cuidar dos meus pais. Ambos dependem demais de mim psicologicamente, ambos me amam mais do que qualquer outra coisa. Sem a minha presença aqui, a vida dos dois colapsaria. Sinto que eu só vim ao mundo para ser o pilar da vida de ambos. Então, eu tenho que ir empurrando a minha vida enquanto ambos estão vivos, tentando ao máximo não embaraçar eles mais. Decidi que vou viver a vida no limite nesse meio tempo: finalmente comecei a fazer academia (minha postura sempre foi torta e, nos últimos 2 meses, eu ganhei peso. Quero eliminar essa pança antes que ela vire um problema), fui ao Maracanã mês passado ver a ida da Copa do Brasil (sou de MG), devo receber uma indenização boa quando sair daqui e estou planejando um mês de curso de inglês na Europa (meu inglês é bom, mas não é perfeito e isso sempre me incomodou horrores, sem falar que conhecer a Europa é O sonho que eu tenho de vida). Será o meu maior highlight, e a única loucura que eu me permiti fazer. Quando voltar, vou fazer o que gosto e, mais importante, vou cuidar dos meus pais, de tudo que eles precisarem de mim.
Não sei o que o futuro reserva pra mim, mas, pensando com lógica, eu devo chegar nos meus 35/40 anos quando ambos meus pais falecerem. Quando isso acontecer, serei um solteiro entrando na meia idade, possivelmente com pouca experiência sexual que não envolva garotas de programa, num emprego pouco satisfatório e sem nenhum amor que tenha sido recíproco e que não acabe na mulher se cansando de um cara patético e percebendo que praticamente qualquer coisa é melhor que eu. Será covardia, alguns sentirão tristeza, mas será temporário, todos irão superar, e haverá um pouco mais de oxigênio no mundo.
A minha mente ainda tenta, em alguns momentos, achar alguns cenários de ilusão, de que algum milagre irá acontecer, mas não irá. Eu sei que não. Profissionalmente eu fracassei. Academicamente eu fracassei. E, amorosamente, eu também fracassei. Vi que não basta achar alguém que aguente a minha personalidade, ela não irá suportar alguém que trata preliminares como Evento Principal, e eu irei morrer com esta condição.
Por mais paradoxal que seja, pensando assim eu estou aprendendo a abraçar o que eu gosto. Eu gosto de ler. Eu gosto de sair para comer e voltar para casa. Eu gosto de esportes. Eu gosto de escrever. Eu gosto de viajar. Não vou mudar o que eu gosto pelos outros, até porque será inútil, resolver um sintoma não cura a doença, e não há remédios o bastante para curar todos os sintomas dessa doença chamada eu. Fico feliz pelos meus pais existirem, pq, se não fosse por eles, eu teria sido um fiasco absoluto em vida. Fico feliz pelo meu último namoro, pq eu nunca me senti mais feliz do que numa tarde de sábado, quando ela disse "te amo" pouco antes de cochilar no meu peito. Eu fui feliz com o amor, e, por causa dela, eu aprendi que todo relacionamento que eu entrar, obrigatoriamente, terá um fim unilateral. Eu vou ser feliz com meus outros desejos, concluir meus hobbies, fazer o que eu gosto, e cuidar de quem me ama incondicionalmente, até o fim deles. Dali, serei eu que terei meu livramento.
Eu precisava contar isso pra alguém, mas não quero que tratem isso como um pedido de ajuda, pq não é. Meu real objetivo de vida sempre foi ter uma família minha, ter um filho em uma casa estruturada e passar meu conhecimento adiante. Eu já sei que, por questões psicológicas e físicas, isso jamais acontecerá. Quando meus pais se forem, eu literalmente não terei mais o que fazer aqui e, se tudo der certo, eu terei realizado ao menos uma parcela boa dos meus outros sonhos. Eu estou tranquilo quanto a isso. Talvez ainda sinta, de novo, a dor de ver alguém me trocando por outra pessoa melhor, mas agora eu sei que isso acontecerá. Doerá menos, eu espero. E, se nem isso eu conseguir, bem...dois salários por mês dá para pagar por sexo.
De novo, desculpem pelo texto gigante.
tl;dr: Todos confiavam em mim, todos achavam que meu futuro seria brilhante. Meu futuro será medíocre, patético e, ao menos, tem uma data para acabar
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Você é a minha vida ♥ EU TE AMO ♥ Boa noite AMOR da minha VIDA ♥ ║Declaração de AMOR [ASMR/ ligação Jikook]-Eu te amo hyung... Você é minha vida... Eu te Amo! - YouTube Alex Junior, Eu te Amo ♥ Loony Johnson feat Landrick - Vou ser teu - letra

Não é um desabafo, só preciso de um conselho - reddit.com

  1. Você é a minha vida ♥ EU TE AMO ♥
  2. Boa noite AMOR da minha VIDA ♥ ║Declaração de AMOR
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